“Não vejo valor em gerir horários de trabalho. Vejo valor em gerir resultados”
Suíça Zühlke estreou-se em Portugal com equipa de meia dezena de pessoas. Hoje, já conta com mais de 100 e quer atingir 130 até ao final do ano, revela CEO no podcast "Trinta e oito vírgula quatro".
Com cinco ou 100 pessoas, o desafio é o mesmo, atira Mariana Salvaterra: garantir que todos têm a autonomia e flexibilidade necessárias para estarem no seu melhor no trabalho. No novo episódio do podcast “Trinta e oito vírgula quatro”, a CEO da Zühlke Portugal explica como estes têm sido trunfos para reter talento, mesmo que tal exija de quem lidera a capacidade de viver no desconforto de não impor soluções, mas aceitar que há vários caminhos para o mesmo resultado.
“Não vejo valor em gerir horários, tarefa a tarefa. Vejo valor em gerir resultados. Garantir que está toda a gente a remar para o mesmo lado, que temos um objetivo em comum”, frisa a responsável.
“Exige do líder [viver] um bocadinho no desconforto de aceitar que há outras soluções que não aquela em que pensaste que podem levar ao mesmo resultado ou até a resultados melhores. Exige estar confortável com esse desconforto“, sublinha a mesma.
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Mariana Figueiredo Salvaterra, CEO da Zühlke em Portugal, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO -
Mariana Figueiredo Salvaterra, CEO da Zühlke em Portugal, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO -
Mariana Figueiredo Salvaterra, CEO da Zühlke em Portugal, em entrevista ao podcast do ECO "Trinta e Oito vírgula Quatro" Hugo Amaral/ECO
Entre as políticas de flexibilidade disponibilizadas por esta consultora suíça (que chegou a Portugal há cinco anos), está a liberdade de definir não só o início e fim do dia de trabalho, mas também a própria distribuição da carga horária ao longo da semana.
Os cerca de 100 trabalhadores da Zühlke tanto podem optar por condensar o horário (por exemplo, fazer dez dias diárias e ficar com a sexta-feira livre, ou nove horas diárias e tirar um dia em cada quinzena) como por reduzir o horário para quatro dias semanais, com um corte salarial proporcional.
Em ambos os casos, segundo Mariana Salvaterra, o modelo pode ser escolhido mensalmente, dando total flexibilidade ao trabalhador.
Basta pegar nas 40 horas semanais e distribuir ao longo da semana. Há pessoas que trabalham nove horas por dia e tiram uma sexta-feira de 15 em 15 dias. Há pessoas que trabalham dez horas por dia e ficam com a sexta-feira livre. Há pessoas que trabalham mais meia hora diária e de 15 em 15 dias tiram uma tarde. Depende muito do que se pretende com esse dia livre.
Essa flexibilidade permite, por outro lado, conciliar melhor a vida pessoal e profissional, sendo uma das políticas da Zühlke ligadas à parentalidade.
Outras são a equiparação a 100% do salário, quando uma trabalhadora decide fazer cinco meses de licença parental, a adaptação do escritório para quem esteja a amamentar e a mensagem clara de que “não se aceitam comentários de corredor” que discriminem os homens que queiram também tirar tempo para ficar com os filhos.
Quanto ao futuro da Zühlke em Portugal, a CEO adianta que o objetivo é crescer até às 130 pessoas ainda este ano. “Para a Zühlke, faz sentido continuar a crescer em Portugal. Temos talento, não só em termos de qualidade, mas também em termos de adaptabilidade. Encaixamo-nos muito bem nas equipas. O nosso nível de inglês também é ótimo”, enumera Mariana Salvaterra.
A par da liderança do braço português, a responsável acumulou também recentemente o cargo de chefe de soluções digitais para Portugal e Reino Unido, tendo agora mais 80 pessoas sob a sua alçada. “É uma extensão do que estava a fazer. Sempre trabalhei na engenharia informática, de uma maneira ou de outra“, afirma.
O “Trinta e oito vírgula quatro” é um podcast quinzenal com entrevistas a decisores, líderes e pensadores sobre os temas mais quentes do mercado de trabalho. Numa década, a duração média estimada da vida de trabalho dos portugueses cresceu dois anos para 38,4. É esse o valor que dá título a este podcast e torna obrigatória a pergunta: afinal, se empenhamos tanto do nosso tempo a trabalhar, como podemos fazê-lo melhor.
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