Novobanco ‘limpa’ África antes da venda a franceses
A um mês de mudar para mãos francesas, o banco liderado por Mark Bourke dissolveu a sociedade NB África, criada no tempo do BES e através da qual controlava os bancos em Moçambique e Cabo Verde.
Prestes a mudar de dono, o Novobanco continua a arrumar a casa e a desfazer-se de alguns negócios. Nos últimos dias o banco liderado por Mark Bourke procedeu ao encerramento da sociedade NB África SGPS, veículo através do qual Ricardo Salgado procurou expandir o negócio do BES naquele continente.
A dissolução da sociedade NB África teve lugar no último dia de março, praticamente um mês antes de o grupo francês BPCE tomar conta do banco português, no âmbito de um acordo em que pagará 6,4 mil milhões de euros ao fundo Lone Star (75%) e ao Estado português (25%).
No final do ano passado, faziam parte do grupo Novobanco 14 subsidiárias e associadas, numa lista onde estava também a NB África, registada nas contas do banco com o valor líquido de 11 milhões de euros e uma perda por imparidade de 55,5 milhões.
O banco não quis comentar o encerramento da sociedade constituída em 2009, então designada BES África e que teve um papel importante na estratégia de Salgado para o mercado africano. Era esta sociedade que fazia a gestão das participações em vários bancos africanos, designadamente o Moza Banco, em Moçambique, e o International Investment Bank, em Cabo Verde — o antigo BES Angola, atual Banco Económico e onde foi descoberto um buraco de 3,5 mil milhões de euros, era detido diretamente pelo BES.
O BES África acabaria por passar para o banco de transição com a medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal em 2014. Entretanto, já com a designação NB África, tanto o banco moçambicano como o cabo-verdiano foram vendidos pelo Novobanco, de onde viria a sair definitivamente apenas nos últimos anos.
No caso do International Investment Bank, após a venda ao IIBG Holdings do Bahrein em 2018, o Novobanco ainda manteve uma participação de 10% até 2024, da qual se desfez nesse ano. Em relação ao Moza Banco vendeu a sua participação ao fundo Arise, tendo deixado o banco em 2023.
Troca administradores e auditor no final do mês
O fim do NB África surge numa altura em que o Novobanco se preparar para receber o novo dono, com assinatura do contrato de venda prevista para o dia 28 de abril. No dia seguinte terá lugar uma assembleia geral de acionistas para eleger novos membros para o conselho geral e de supervisão e o novo auditor e ainda para alterar os estatutos do banco. A “eficácia” das deliberações está “subordinada à conclusão do processo de venda das ações representativas da totalidade do capital social do Novobanco ao BPCE”, lê-se na convocatória.
Segundo o jornal Público estão de saída três membros do conselho de supervisão que tinham sido nomeados pela Lone Star: Kambiz Nourbakhsh, Mark Andrew Coker e Evgeniy Kazarez. Ainda não são conhecidos os nomes dos substitutos.
Em relação ao novo auditor, o banco vai substituir a EY como revisor de contas devido a um conflito de interesse, como o ECO revelou. Em causa está um contrato de 4 milhões de euros que vai passar para outra sociedade.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Novobanco ‘limpa’ África antes da venda a franceses
{{ noCommentsLabel }}