Start Campus gostava de ser a “casa” da gigafábrica de IA
O 'chief marketing officer' da Start Campus afirma que o centro de dados de Sines "é, sem dúvida, um local potencial" para receber a gigafábrica de IA a que Espanha e Portugal se candidataram.
- A Start Campus, localizada em Sines, não está diretamente envolvida na candidatura ibérica ao financiamento da União Europeia para uma gigafábrica de inteligência artificial, mas é considerada uma referência para o projeto.
- Os governos de Portugal e Espanha formalizaram uma candidatura conjunta, com a proposta de instalação de infraestrutura em Sines, destacando a capacidade do campus para suportar grandes projetos de IA.
- O investimento de 8,5 mil milhões de euros no Start Campus e o recente Plano Nacional de Centros de Dados prometem posicionar Portugal como um hub europeu de tecnologia e digitalização.
A Start Campus, em Sines, não faz parte da candidatura portuguesa e espanhola ao financiamento da União Europeia para a construção de uma gigafábrica de IA, mas o projeto foi usado como referência e existe vontade em o acolher.
Os Governos de Portugal e Espanha formalizaram há pouco mais de um mês a intenção de uma “candidatura conjunta e de caráter paritário” ao desenvolvimento de uma gigafábrica de inteligência artificial (IA), apoiada por fundos europeus. A candidatura ibérica deverá ser bipolar, com a instalação de infraestrutura nos dois países, sendo que do lado português a proposta é para Sines.
Pode a Start Campus vir a acolher um desses pólos? “Essa é uma das discussões, sim”, afirma Omer Wilson, chief marketing officer da Start Campus, convidado do Transatlantic Talks, um podcast do ECO em parceria com a Amcham Portugal, em que também participou João Bugalho, CEO da Arrow Global.
Oiça aqui o podcast Transatlantic Talks
“Não fazemos parte diretamente da aplicação. Fomos utilizados como sítio de referência por razões óbvias. Mas, no âmbito de Sines, temos 1,2 gigawatts no campus e muito para construir. É, sem dúvida, um local potencial para isso“, refere o responsável.
Omer Wilson não teme a concorrência deste novo projeto, caso a candidatura ibérica seja selecionada e o projeto não venha para o Start Campus. “Mesmo que não seja em Sines e connosco, noutra parte de Portugal, a nossa opinião é que quanto mais o mercado crescer, melhor será para todos“, afirma. “Pensamos não apenas em Portugal, mas em toda a Península Ibérica. Por isso, mesmo os novos desenvolvimentos em Espanha, penso que só podem ajudar toda a gente, porque se olharmos para a curva da procura na indústria tecnológica, vai haver muito para todos“, acrescenta.

“Penso que o importante é fazer de Portugal um hub, o que só pode acontecer se algo como a gigafábrica for escolhida para estar aqui. Isso só ajuda o resto do mercado e o ecossistema”, reforça o responsável de marketing da Start Campus.
A americana Davidson Kampner e a britânica Pioneer Point Partners têm previsto um investimento de 8,5 mil milhões de euros no Start Campus. Depois de concluído o edifício inicial em Sines — o SIN01 ou Nest, com capacidade de 33 megawatts — estão a decorrer os trabalhos preparatórios do segundo, muito maior, e com capacidade para 200 megawatts, e cuja entrada em funcionamento está prevista para “o final de 2027”.
Um investimento que coloca Portugal no mapa europeu dos centros de dados. “Não foi feito, na Europa, um investimento desta dimensão, com mais de 200 megawatts”, assinala o chief marketing officer.
Omer Wilson deixa elogios à atuação do Governo nesta área. “O grande desenvolvimento recente que nos agradou muito foi o Plano Nacional de Centros de Dados, que acabou de ser anunciado pelo Governo“, sublinha, destacando a vontade em simplificar o licenciamento.
“E isto vem no seguimento do roteiro nacional da Inteligência Artificial, que foi anunciado anteriormente. Por isso, penso que Portugal, do ponto de vista da tecnologia e da digitalização, a administração central e a administração local estão a levar isto muito a sério e penso que têm sido muito abertos, o que é impressionante”, elogia Omer Wilson.
Assista à entrevista legendada:
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