Transatlantic Talks. Arrow Global e Start Campus reforçam investimento em Portugal e têm ambições para Espanha
João Bugalho e Omer Wilson falam ao podcast Transatlantic Talks sobre os ambiciosos planos de investimento para o país. Arrow Global vai investir mais 500 milhões este ano.

A Arrow Global e a Start Campus estão entre os maiores investidores em Portugal e vão continuar a reforçar a aposta. João Bugalho, CEO do fundo britânico em Portugal, revela que este ano serão investidos mais cerca de 500 milhões no país. A Start Campus já arrancou com aos trabalhos para a construção do segundo edifício em Sines.
“As plataformas detidas pela Arrow gerem cerca de 13 mil milhões de ativos em Portugal, incluindo crédito, imobiliário, hotelaria e empréstimos”, contabiliza João Bugalho ao Transatlantic Talks, um podcast do ECO em parceria com a Amcham Portugal, que este ano celebra o 75.º aniversário. O número faz do país a geografia onde a gestora de ativos com sede em Londres tem mais dinheiro aplicado.
Oiça aqui ao podcast:
Chegou a Portugal em 2015 com a aquisição da Whitestar à Lehman Brothers e conta hoje com sete plataformas diferentes — que vão do turismo e imobiliário à gestão de créditos em incumprimento — onde emprega 3.200 pessoas. Vilamoura, Monte Rei, Aroeira, Tróia Resort e Vila Pisão são alguns dos principais projetos turísticos e imobiliários da Arrow Global, que é já também o maior operador de golfe em Portugal.
O ritmo de investimento é para manter: “O fundo investiu mais de 500 mil milhões por ano, nos últimos três anos. E esperamos fazer o mesmo este ano”, revela João Bugalho.
Nesta altura, estamos a liderar o caminho para Espanha, a equipa portuguesa. É um mercado muito maior onde não estávamos antes.
Os planos passam agora por replicar em Espanha o sucesso em Portugal. “Nesta altura, estamos a liderar o caminho para Espanha, a equipa portuguesa. É um mercado muito maior onde não estávamos antes”, afirma o CEO da Arrow Global. A gestora de ativos contratou já um CEO espanhol, “mas que será apoiado pela estrutura portuguesa, que é a maior e mais diversificada dentro do mundo da Arrow Global”.
Assista à entrevista legendada:
Espanha e EUA no horizonte da Start Campus
O mercado espanhol também está na mira da Start Campus, embora com um calendário ainda por definir. O salto para o outro lado da fronteira será dado no âmbito da parceria fechada em fevereiro com a EDP, que poderá ainda levar a empresa do centro de dados de Sines a atravessar o Atlântico Norte. “Com o acordo com a EDP, que anunciámos recentemente, vamos também procurar outras localizações na Península Ibérica e, depois, sim, o outro grande mercado do mundo [EUA], que é um mercado muito, muito movimentado”, afirma Omer Wilson.
O chief marketing officer da Start Campus assegura, no entanto, que Sines é “a prioridade número um”. A americana Davidson Kampner e a britânica Pioneer Point Partners têm previsto um investimento de 8,5 mil milhões de euros. Quando todos os seus edifícios previstos estiverem concluídos, a capacidade total prevista para o Start Campus será de 1,2 gigawatts.
“Queremos acertar nisso e, depois, o primeiro passo é a expansão em Portugal e, depois, na Ibéria e noutros mercados, potencialmente, na América do Norte”, afirma Omer Wilson.
A americana Nscale está instalada no edifício inicial, o SIN01, e celebrou já um contrato de fornecimento para a gigante Microsoft, que no ano passado anunciou um investimento de 10 mil milhões no Start Campus. A Microsoft “está a investir nesse acordo e a utilizar os chips da Nvidia [GB300], que já chegaram na sua maioria, para prestar serviços do Copilot na União Europeia a partir desta instalação”, explica Omer Wilson. O responsável afirma que há já outros clientes do SIN01, sobretudo empresas tecnológicas americanas e europeias, mas que não pode divulgar.
Habitação temporária para trabalhadores em Sines, onde a população poderá duplicar
O primeiro edifício tem capacidade para 33 megawatts. O segundo será muito maior, com capacidade para 200 megawatts, o que fará deste o maior centro de dados da Europa, segundo Omer Wilson. A construção arrancará ainda este ano e vai exigir um grande número de trabalhadores, mas faltam casas para os alojar. Face à falta de habitação em Sines, a Start Campus vai avançar com uma solução temporária.
“Estamos a procurar soluções de alojamento temporário para os 1.000 a 3.000 trabalhadores da construção civil que irão trabalhar ativamente na próxima fase”, afirma o diretor de marketing do centro de dados.
Penso que a população irá duplicar ao longo dos próximos anos e todos têm de se juntar e decidir qual é a solução a longo prazo [para a habitação].
Omer Wilson afirma que estão a ser pensadas respostas mais definitivas em conjunto com a Câmara Municipal e outros grandes projetos que se vão instalar em Sines. “Exigirá uma abordagem de um consórcio com o município, que está agora a analisar isso de perto. Creio que não somos apenas nós, mas também as outras fábricas e projetos que estão a chegar a Sines“, diz.
“Penso que a população irá duplicar ao longo dos próximos anos e todos têm de se juntar e decidir qual é a solução a longo prazo”, alerta.
A Start Campus não deverá ficar apenas pelo conselho no litoral alentejano. Na mira da empresa está a abertura de uma nova localização em Portugal, “provavelmente um pouco mais perto de Lisboa”. Já foram identificados vários locais, mas nenhuma decisão foi tomada. Um dado é certo, o acesso a energia renovável abundante será essencial.
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