Bolsas europeias chegam a subir 5%. Lisboa é a que sobe menos

Euforia toma conta dos mercados após anúncio de um cessar-fogo entre os EUA e o Irão, com previsão de reabertura do Estreito de Ormuz. Mas a queda de mais de 6% da Galp trava bolsa de Lisboa a fundo.

A euforia está a tomar conta dos mercados europeus nesta quarta-feira, após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e o Irão, a poucas horas do fim do prazo dado pelo Presidente dos EUA. O índice de referência europeu Stoxx 600 arrancou o dia a valorizar 3,66%, mas os ganhos chegam a superar os 5% em Frankfurt, com os investidores a anteciparem a reabertura do Estreito de Ormuz.

Paris soma 4,27%, enquanto Madrid e Milão ganham cerca de 3,5%; Londres soma uns mais modestos 2,48%, em linha com a bolsa de Amesterdão. Entre as pares europeias, a bolsa de Lisboa é a que sobe menos: o PSI está a avançar cerca de 1%, com o BCP a contribuir com uma valorização de 4,57%.

O principal índice português está a ser travado pela queda de mais de 6,6% da Galp Energia, numa altura em que os preços do petróleo já estiveram a derrapar mais de 15%, negociando abaixo dos 100 dólares por barril dos dois lados do Atlântico.

O setor da construção está a comandar os ganhos na tabela do PSI. A Teixeira Duarte dispara 7,65% e a Mota-Engil 7,24%. Os CTT sobem 4,45%, com os investidores esperançosos de que o acordo permita acelerar o fluxo de objetos com origem na China, que chegam ao mercado ibérico através do Médio Oriente.

No retalho, a Jerónimo Martins soma 2,83%, enquanto a Sonae avança pouco menos de 1%. Na energia, a EDP ganha uns ligeiros 0,26% e a EDP Renováveis valoriza 0,57%.

Galp tropeça no petróleo e trava bolsa de Lisboa:

Alívio no petróleo e no gás

Os EUA e o Irão aceitaram duas semanas de tréguas para dar lugar a negociações que possibilitem um acordo mais duradouro. Essas negociações deverão arrancar na sexta-feira, em Islamabad, Paquistão, mas o chefe da diplomacia iraniana disse que será permitida a “passagem segura” pelo Estreito de Ormuz. Israel, país com o qual os EUA têm levado a cabo a Operação Fúria Épica contra alvos iranianos, já confirmou que respeitará o cessar-fogo intermediado pelo Paquistão, embora considere que o Líbano está fora do escopo do acordo.

A expectativa dos investidores deverá continuar a pressionar os preços do petróleo, numa altura em que os preços altos dos combustíveis ameaçam a economia mundial. O Brent, referência para as importações nacionais, estava a descer 13,42%, para 94,91 dólares, enquanto o norte-americano WTI perde 14,74%, para 96,26 dólares.

Se a tendência se mantiver, estas quedas deverão dar algum alívio a muitos setores da economia, incluindo da portuguesa, numa altura em que o litro de gasóleo já se vende em algumas bombas a quase 2,3 euros. Todavia, apesar da queda, o preço do barril mantém-se em níveis historicamente elevados.

Investidores esperam que o acordo entre EUA e Irão, ainda que temporário, permita uma rápida reabertura do Estreito de OrmuzEPA/ALI HAIDER

Ainda no setor energético, o acordo também está a pressionar muito significativamente os preços de referência do gás natural na Europa. Os futuros do TTF para entrega em maio deslizam 16%, para 44,68 euros por megawatt-hora (MWh), um valor que, ainda assim, ainda é 77% superior ao preço deste combustível antes dos ataques dos EUA e de Israel ao Irão, no final de fevereiro.

Nos metais preciosos, o preço spot do ouro avança 2,31%, para 4.814 dólares a onça. No mercado cambial, o euro avança sobre o dólar: o par EUR/USD valoriza 0,83%, com cada euro a comprar 1,1693 dólares.

Juros da dívida afundam

Outro mercado em foco nesta quarta-feira é o das dívidas soberanas. O juro das bunds alemãs a dez anos recua 15,8 pontos base, para 2,9254%, enquanto nos EUA a yield das Treasuries a 10 anos cede mais de 10 pontos base, para 4,238%.

Em Portugal, a taxa na maturidade de referência de 10 anos cede 22,6 pontos base, para 3,297%. Esta agitação dá-se num dia em que o IGCP irá realizar dois leilões de Obrigações do Tesouro a dez e 14 anos, para levantar até 1.500 milhões de euros.

A trégua temporária no Médio Oriente está, assim, a pressionar os juros das obrigações soberanas, que se movem de forma inversamente proporcional aos preços dos títulos.

(Notícia atualizada pela última vez às 8h44)

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