O criador da bitcoin afinal é um britânico de 55 anos, revela o New York Times

O New York Times aponta Adam Back, criptógrafo britânico, como o criador da bitcoin após meses de investigação sobre pistas linguísticas, técnicas e arquivos digitais que o ligam a Satoshi Nakamoto.

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  • O New York Times identificou Adam Back como o provável Satoshi Nakamoto, a figura por trás da criação da bitcoin, após uma investigação detalhada de mais de um ano.
  • A análise cruzou escritos de Satoshi com os de Adam Back, revelando coincidências significativas que o tornam o principal suspeito entre 12 candidatos finais.
  • A identidade de Satoshi Nakamoto tem implicações profundas no setor financeiro, uma vez que a sua revelação pode influenciar políticas e regulamentações no mercado de criptoativos.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Durante 17 anos, a identidade de Satoshi Nakamoto permaneceu um dos maiores enigmas da era digital. Satoshi é um nome inventado por detrás do qual se escondeu a pessoa que, numa única jogada de génio, criou a bitcoin, desencadeou uma revolução financeira e acumulou uma fortuna avaliada em mais de 100 mil milhões de dólares.

Agora, o New York Times acredita ter encontrado a resposta para o mistério de Satoshi, e o nome que emerge dessa investigação minuciosa é o de Adam Back, um criptógrafo britânico de 55 anos que, segundo o jornal norte-americano, reúne um conjunto de indícios dificilmente atribuível ao mero acaso.

A investigação do jornalista John Carreyrou parte de uma análise ao conjunto de textos deixados por Satoshi Nakamoto, como o white paper fundador da bitcoin, publicações em fóruns e centenas de emails enviados a colaboradores nos primeiros dias da criptomoeda; e cruza-os com os escritos de Adam Back ao longo de décadas. As coincidências são muitas:

  • Adam Back foi um membro ativo do movimento cypherpunk, o grupo de ativistas da criptografia que sonhou com uma moeda digital independente dos Estados;
  • Foi o inventor do Hashcash, um sistema de resolução de puzzles matemáticos que serviu de base direta à mineração de bitcoin;
  • E propôs, entre 1997 e 1999, uma década antes de Satoshi os apresentar ao mundo, todos os elementos que viriam a definir a bitcoin: privacidade, distribuição, escassez incorporada e imunidade à censura.

Numa entrevista em podcast, cujo registo foi enviado ao regulador norte-americano dos mercados financeiros (SEC), Adam Back afirmou que foi “uma das primeiras pessoas na bitcoin” e que foi o primeiro a receber um email de Satoshi Nakamoto, acrescentando que o seu sistema Hashcash, desenvolvido em 1997, foi posteriormente incorporado no mecanismo de mineração da bitcoin, recorda o Marketwatch.

Além das semelhanças conceptuais e ideológicas entre Adam Back e Satoshi Nakamoto, o New York Times conduziu uma análise forense detalhada à escrita de ambos. Através da estilometria – técnica científica que mede a frequência e o posicionamento de palavras funcionais para identificar autores -, Adam Back surgiu como o candidato mais próximo de Satoshi num conjunto de 12 suspeitos analisados, embora os resultados tenham sido considerados inconclusivos.

A investigação do New York Times sobre a identidade de Satoshi Nakamoto não constitui prova definitiva, mas a confluência de evidências técnicas, linguísticas e cronológicas, aliada ao silêncio ou às respostas evasivas de Adam Back, torna esta a teoria mais sólida até hoje sobre quem criou a bitcoin.

Mais reveladores foram os chamados “marcadores sociolinguísticos”, erros de hifenização partilhados, com Adam Back a partilhar 67 dos 325 erros de hifenização identificados nos textos de Satoshi, mais do dobro do segundo candidato, a alternância idêntica entre grafias britânicas e americanas, o uso de “also” no final de frases, ou a confusão recorrente entre “its” e “it’s”.

Aplicando filtros sucessivos a uma base de dados de 34 mil utilizadores dos fóruns cypherpunk e de criptografia, a investigação foi estreitando o campo de suspeitos de Satoshi de um grupo inicial de 620 até restar apenas um nome: Adam Back.

Confrontado com todas estas evidências numa reunião em El Salvador, durante uma conferência de bitcoin, o britânico negou por mais de meia dúzia de vezes ser Satoshi Nakamoto e atribuiu tudo a coincidências. Mas as suas reações corporais (rosto avermelhado, desconforto visível) e a ausência de respostas convincentes para algumas perguntas centrais, como o facto de ter estado inexplicavelmente ausente das listas de discussão precisamente durante o período em que Satoshi era ativo na comunidade bitcoin, não apagaram as suspeitas.

No final da conversa, quando John Carreyrou citou uma frase de Satoshi – “sou melhor com código do que com palavras” -, Adam Back respondeu de forma aparentemente instintiva: “Mas eu falei muito para alguém… quero dizer… eu fiz muito barulho nessas listas.” Uma frase ambígua que, segundo o jornalista, soou como um momento em que a máscara caiu e que Adam Back, contactado posteriormente, atribuiu a mera conversa casual.

A investigação do New York Times sobre a identidade de Satoshi Nakamoto não constitui prova definitiva e o próprio jornal o reconhece. Apenas Satoshi poderia provar a sua identidade de forma irrefutável, movendo as moedas de bitcoin que alegadamente detém desde os primórdios da rede. Mas a confluência de evidências técnicas, linguísticas e cronológicas, aliada ao silêncio ou às respostas evasivas de Adam Back, torna esta a teoria mais sólida até hoje sobre quem criou a bitcoin.

Numa indústria que hoje vale mais de 2 biliões de dólares e que desafia a arquitectura do sistema financeiro global, saber quem fundou o bitcoin não é uma questão de curiosidade histórica, mas uma questão com implicações políticas, regulatórias e económicas de enorme alcance.

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