Revendedores já preveem descida dos combustíveis na próxima semana após tréguas no Médio Oriente
A vice-presidente da associação que reúne as estações de abastecimento de combustível prevê um alívio nos preços dos combustíveis. Já as petrolíferas não garantem, à luz da instabilidade da situação.
A vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC), Mafalda Trigo, afirma que o preço dos combustíveis deverá baixar na próxima semana, na sequência da forte descida do custo do petróleo na manhã desta quarta-feira, resultado da trégua de duas semanas entre os EUA e o Irão.
“Neste momento, [os combustíveis] já estão com uma previsão de baixa, mas ainda não temos valores. Se formos a ver os mercados internacionais, supõe-se que vai baixar“, disse ao ECO a vice-presidente da associação que reúne os postos de abastecimento.
Questionada sobre em que medida deverão baixar os preços, a responsável assume que “numa próxima semana nunca vai haver uma quebra assim tão significativa”, mas espera que possa ser “anulado o aumento da semana passada”.
Neste momento, [os combustíveis] já estão com uma previsão de baixa, mas ainda não temos valores. Se formos a ver os mercados internacionais, supõe-se que vai baixar.
Durante a madrugada, Donald Trump anunciou na sua rede social um cessar-fogo de duas semanas que inclui a suspensão de bombardeamentos, condicionada à reabertura do estreito pelo qual passava 20% do comércio mundial de crude antes dos ataques de 28 de fevereiro.
O barril de Brent, que é a referência nos preços de petróleo para a Europa, cai 13,71% para 94,32 dólares, o valor mais baixo desde 11 de março. Em abril, o barril já corrige 20% desde o início deste mês, após disparar 64% em março. Os analistas da XTB lembram, porém, que o tráfego pelo Estreito de Ormuz poderá permanecer limitado a 10 a 15 navios por dia, o que “implicaria a persistência de estrangulamentos e problemas de abastecimento”. Assim, “o crescimento da oferta poderá permanecer estruturalmente limitado”, afirmam.
Os preços da gasolina e do gasóleo dependem das cotações nos mercados internacionais de cada um destes derivados de petróleo. Desde o início da guerra, a 28 de fevereiro, até ao dia de hoje, o preço médio do gasóleo em Portugal aumentou 55 cêntimos por litro, enquanto a gasolina subiu 26 cêntimos.
Petrolíferas apontam instabilidade e não garantem descidas
O porta-voz da Epcol — Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes, João Reis, é mais recuado nas previsões. Concede que “se a situação normalizar e o estreito abrir, a tendência [do preço dos combustíveis] será descer”. Contudo, “a manter-se assim [a situação], não creio que haja grande hipótese de descer”, prevê, frisando a instabilidade: “andamos aqui de hora a hora ao sabor do que dizem o senhor Trump e do que fazem os iranianos”.
Para este responsável, a ditar o futuro dos preços dos combustíveis estão sobretudo dois fatores: a abertura — ou não — do estreito de Ormuz e a dimensão dos danos nas infraestruturas do Médio Oriente, desde refinarias até pipelines e unidades de armazenamento. Uma vez que esta pode ser uma “arma política”, não crê se se saiba, para já, a verdadeira dimensão da destruição. “O que posso dizer é que vamos analisar. “Hoje é quarta-feira, no fim da semana vamos avaliar isto. Neste momento completamente absurdo dizer se [os preços dos combustíveis] vão subir ou descer“, atira.
(Notícia atualizada pela última vez às 17h26 com as declarações da Epcol)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Revendedores já preveem descida dos combustíveis na próxima semana após tréguas no Médio Oriente
{{ noCommentsLabel }}