Tudo o que já se sabe sobre o cessar-fogo no conflito no Médio Oriente
Após ameaças e ultimatos, EUA (e Israel) e Irão acordaram um cessar-fogo de duas semanas. Veja aqui os detalhes do acordo e as reações, incluindo nos principais mercados.
Duas horas antes de expirar o prazo que tinha dado ao Irão para reabrir o crucial Estreito de Ormuz sob pena de sofrer ataques devastadores que incluíam “a morte de uma civilização” inteira, Donald Trump anunciou na sua rede social um cessar-fogo de duas semanas que inclui a suspensão de bombardeamentos, condicionada à reabertura do estreito pelo qual passava 20% do comércio mundial de crude antes dos ataques de 28 de fevereiro.
Negociado pelo Paquistão, o acordo foi aceite pelo Irão, que apresentou a notícia como uma vitória sobre os EUA, alegando que Trump tinha aceitado as condições para pôr fim às hostilidades. Segundo a Casa Branca, Israel também aceitou os termos do cessar-fogo.
Nos mercados, as reações foram imediatas e dramáticas, com os preços do petróleo a afundarem cerca de 15% para abaixo dos 100 dólares por barril, as principais praças bolsistas asiáticas a dispararem mais de 5% e os futuros dos índices acionistas em Wall Street a avançarem 2% e os da Europa acima de 5%.
Veja aqui os principais desenvolvimentos e reações:
O que disseram Trump e o outros protagonistas:
- O presidente americano fez dois telefonemas antes de anunciar o cessar-fogo: um para o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, e outro para o primeiro-ministro israelita, Benjamin Nethanyahu.
- Logo a seguir, Donald Trump escreveu o seguinte na sua rede Truth Social: “Com base nas conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria enviada esta noite para o Irão, e desde que a República Islâmica do Irão concorde com a ABERTURA TOTAL, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeamento e o ataque ao Irão por um período de duas semanas“.
- Trump sublinhou que “será um CESSAR-FOGO de ambos os lados”, e que “a razão para tal é que já atingimos e excedemos todos os objetivos militares, e estamos muito avançados num acordo definitivo relativo à PAZ a longo prazo com o Irão e à PAZ no Médio Oriente”.
- Adiantou que os EUA receberam uma proposta de 10 pontos do Irão e acreditam que constitui uma base viável para a negociação. “Quase todos os vários pontos de discórdia do passado foram acordados entre os Estados Unidos e o Irão, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consumado”.
- O Irão afirmou que suspenderia os seus ataques caso os ataques contra o país cessassem e que seria possível garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz durante duas semanas, em coordenação com as forças armadas iranianas, de acordo com uma declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araqchi.
- O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão apresentou o acordo como uma vitória sobre os EUA, alegando que Trump tinha aceitado as condições para pôr fim às hostilidades.
- Fonte da Casa Branca confirmou que Israel também aceitou o acordo e vai suspender os ataques ao Irão durante duas semanas.
- O Conselho Supremo de Segurança do Irão anunciou que negociações com os Estados Unidos terão início na sexta-feira, em Islamabad, após ter apresentado uma proposta de 10 pontos a Washington através do Paquistão, segundo noticiou a comunicação social estatal iraniana, acrescentando que as conversações não significam o fim da guerra. O Irão afirmou ainda que as conversações, que poderão durar até 15 dias e ser prolongadas por acordo mútuo, têm como objetivo finalizar os detalhes da proposta, que inclui disposições sobre o trânsito pelo Estreito de Ormuz, o alívio das sanções e a retirada das forças de combate dos EUA das bases regionais.
Quais foram as reações nos mercados?
- Petróleo: após semanas de volatilidade e com o fecho do Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do comércio mundial de crude, o cessar-fogo trouxe alívio. A cotação do barril de Brent afundou 15% para 92,35 dólares e o de WTI desceu 16% até 94,59 dólares, antes de estabilizarem com recuos de cerca de 12%.
- Ações asíaticas: O índice Nikkei do Japão ganhava cerca de 5%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul subia 6%, o que levou à suspensão das negociações. Com isso, o índice mais abrangente da MSCI para as ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, a registar uma avanço de 4%.
- Futuros: Os principais índices dos dois lados do Atlântico deverão abrir as sessões em forte alta. Primeiro, na Europa, os futuros apontam para ganhos de 5,42% para o Euro Stoxx 50. Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 indicam uma abertura com subida de 2%.
- Metais preciosos: Os preços do ouro subiam para máximos de quase uma semana, com um ganho de 2.3% para 4.812,49 dólares por onça. Entre outros metais, a prata subia 4,9%, para 76,48 dólares por onça, a platina 3,2%, para 2.020,57 dólares, e o paládio um aumento de 4,1%, para 1.529,35 dólares.
- Câmbio: Às 03h44, o dólar caia para o seu nível mais baixo em um mês, enquanto o euro, o iene, o dólar australiano e o dólar neozelandês registaram fortes subidas nas negociações asiáticas após o acordo de cessar-fogo de duas semanas. O iene valorizava 0,7% face ao dólar, para 158,50 por dólar, o euro 0,7%, para 1,1677 dólares, enquanto a libra esterlina apreciava 0,8%, para 1,3403 dólares.
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