Chega apresenta cinco condições ao Governo para viabilizar revisão da lei laboral
Chega viabiliza reforma, desde que esta não prejudique as mães trabalhadoras, não incentive despedimentos discricionários, reveja as licenças de maternidade e a remuneração do trabalho por turnos.
O presidente do Chega apresentou hoje cinco condições para viabilizar a proposta de revisão da legislação laboral do Governo, pedindo que a negociação avance em breve para não se desperdiçar a maioria à direita no Parlamento.
Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, André Ventura afirmou que o Chega poderá viabilizar no parlamento a revisão da lei laboral proposta pelo Governo, desde que esta não prejudique as mães trabalhadoras, não incentive despedimentos discricionários, reveja as licenças de maternidade e a remuneração do trabalho por turnos, e assegure uma legislação laboral “flexível, mas não (…) selvagem”.
“Para isso é importante que as negociações prossigam no Parlamento, na verdade se iniciem, porque o Governo ainda não deu início a essas negociações, e é importante que isso possa acontecer nos próximos meses para não perder o contexto e o conjunto da maioria que temos neste momento no parlamento”, acrescentou.
Ventura reiterou que o Chega “está contra esta lei laboral tal como ela está”, mas “está aberto e disponível para uma negociação” e para que esta reforma seja aprovada no parlamento nas “próximas semanas ou meses”.
André Ventura detalhou que, por exemplo, na questão do banco de horas, o Estado não deve impedir uma negociação entre o trabalhador e uma entidade empregadora, mas condenou a hipótese de virem a ser retirados “direitos às mães que acabaram de ter filhos e que trabalham” ou de “despedir todo um conjunto de trabalhadores e substituí-los por uma empresa de outsourcing“.
O líder do Chega defendeu que o país pode ter uma “reforma da lei laboral moderna, democrática, avançada” sem “atirar quem trabalha para fora do sistema”, deixando “as pessoas dependentes de circunstâncias externas”.
“Se o Governo estiver disponível para isso, nós já o tínhamos dito, começaremos a trabalhar amanhã mesmo para garantir que isso pode acontecer e que esse caminho é possível de percorrer dentro destas circunstâncias e dentro destas condicionantes“, acrescentou.
Ventura argumentou que o Chega “posicionou-se desde o início com uma postura equilibrada e responsável” e que o partido deseja um mercado de trabalho mais dinâmico, mas não com menos direitos para quem trabalha.
Sobre a posição da UGT, Ventura disse que a central sindical fez o papel que o PS queria e que “isso ficou muito evidente nestas negociações”, acrescentando que o executivo tem apenas dois caminhos, desistir desta proposta ou negociá-la com o Chega respeitando a maioria de direita no parlamento e no país.
“Esses eleitores que votaram no PSD, no Chega e na Iniciativa Liberal querem uma reforma da legislação laboral”, considerou.
O secretariado nacional da UGT rejeitou hoje a atual proposta de revisão de alteração à legislação laboral apresentada pelo Governo e apela à continuação das negociações.
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