Exportações continuam em queda e recuam 15% em fevereiro
Queda das exportações de bens em fevereiro é reflexo, sobretudo, do decréscimo da venda de bens de fornecimentos industriais, influenciada pelo efeito de base. Défice da balança comercial agravou-se.
As exportações portuguesas de bens continuam em queda, tendo recuado 14,9% em termos homólogos em fevereiro, enquanto as importações caíram 6,3%, de acordo com os dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Neste contexto, o défice da balança comercial agravou-se 489 milhões de euros face a igual período do ano passado.
No segundo mês do ano, a venda de bens por Portugal voltou assim a recuar, depois de em janeiro já ter registado uma quebra homóloga de 14,1%. Em fevereiro, a evolução registada resulta sobretudo do decréscimo das exportações de fornecimentos industriais (-25,7%). “Esta evolução está, em grande medida, associada à quantidade significativa de produtos químicos exportados para a Alemanha no período homólogo, sobretudo no âmbito de transações de trabalho por encomenda (sem transferência de propriedade)”, explica o INE.

Paralelamente, verificou-se, igualmente, uma diminuição das exportações de combustíveis e lubrificantes (-44,8%), refletindo reduções tanto no volume transacionado (-23,1%) como nos preços (-28,2%), bem como uma diminuição das exportações de material de transporte (-14,3%). Em ambos os casos, sobretudo para Espanha, com as vendas para este país a caírem 9,2%.
No entanto, quando excluídas as transações com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda (sem transferência de propriedade) o decréscimo foi menos acentuado situando-se em -6,5% em fevereiro e em -5,2% em janeiro. Já se descontados os combustíveis e lubrificantes, as exportações diminuíram 13,1%.
Importações em queda com menos produtos químicos da Irlanda
Seguindo a tendência verificada em janeiro (-2,3%), fevereiro também foi mês de quebra para as importações portuguesas de bens, com uma taxa de variação homóloga de -6,3%. Porém, quando descontados os combustíveis e lubrificantes, as importações decresceram 3,1%.
O maior decréscimo ocorreu nos fornecimentos industriais (-12,6%), em grande medida devido a transações de produtos químicos provenientes da Irlanda, associados a movimentos sem transferência de propriedade, detalha o INE. Ao mesmo tempo verificou-se uma diminuição das importações de combustíveis e lubrificantes (-33,6%), refletindo reduções, tanto no volume transacionado (-2,9%) como nos preços (-31,6%).
Em sentido contrário, destacou-se o aumento das importações provenientes do Brasil (+143,4%), associado a crescimentos nas categorias de material de transporte e de combustíveis e lubrificantes.
Desta forma, o défice da balança comercial de bens atingiu 2.546 milhões de euros, o que representa um agravamento de 489 milhões quando comparado com fevereiro de 2025 e um desagravamento de 20 milhões face ao mês anterior.
Santos Pereira atento à evolução
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, alertou na segunda-feira para a perda de quota de mercado das exportações portuguesas no ano passado, revelando que o regulador bancário vai “levar a cabo uma análise mais detalhada e profunda”.
Numa publicação no X, Álvaro Santos Pereira sublinhou que “uma das grandes transformações da economia portuguesa nos últimos anos foi o significativo crescimento das exportações nacionais”, mas que a tendência foi interrompida em 2025, quando as exportações nacionais “perderam quota de mercado e o crescimento da economia foi principalmente impulsionado pela procura interna”.
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“Ora, uma análise preliminar nos mercados da União Europeia feita pelos economistas do Banco de Portugal, sugere que parte da perda de quota de mercado aconteceu: nos bens energéticos (devido à paragem da refinaria de Sines), nos agroalimentares, e no material de transporte. Em contraste, registaram-se ganhos de quota nas exportações de máquinas e de químicos, plástico e borracha“, explicou.
Desta forma, indicou que “nos próximos tempos, o Banco de Portugal irá levar a cabo uma análise mais detalhada e profunda para tentarmos perceber se as causas deste pior desempenho das exportações são realmente estruturais ou meramente conjunturais“.
(Notícia atualizada às 12h25)
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