Lucro da TAP afunda 92% para 4,1 milhões em 2025, pressionado por impostos e custos
Contas de 2025 foram penalizadas de forma extraordinária por ajuste no IRC e aumento de custos operacionais. No último trimestre do ano, o resultado foi negativo em 51 milhões de euros.
- A TAP registou uma queda de 92% no lucro líquido em 2025, devido a custos elevados e ajustes fiscais, apesar do aumento das receitas operacionais.
- As receitas operacionais cresceram 1,2% para 4.313 milhões de euros, impulsionadas principalmente pelo aumento das vendas de passagens e do negócio de Manutenção.
- Para 2026, a TAP prevê um crescimento sustentável, focando na modernização da frota e na expansão das operações, especialmente na rede transatlântica.
Depois de uma queda de 70% em 2024, a TAP registou um tombo de 92% no lucro líquido no ano passado, com o efeito extraordinário de atualização de IRC e o aumento dos custos num momento de incerteza no setor a sobreporem-se à subida das receitas operacionais, anunciou esta quinta-feira a companhia aérea.
Em 2024 a companhia aérea tinha registado lucro de 53,7 milhões de euros.
“O resultado líquido recorrente teria sido 46 milhões de euros caso excluíssemos o impacto da atualização das taxas de IRC”, informou a empresa num comunicado sobre os resultados, num ano em que concluiu o Plano de Reestruturação e em que o Governo deu início ao processo de privatização de até 49,9% da empresa, a concluir este ano.
Adiantou que as receitas operacionais totalizaram 4.313 milhões em 2025 (mais 1,2% face a 2024), impulsionadas sobretudo pelas receitas de passagens (mais 0,8%) e pelo negócio de Manutenção (subida de 10,7%).
A capacidade aumentou 3,1% e os RPK (receitas de passageiros multiplicado por quilómetros viajados) cresceram 5,5%, elevando o load factor para 84,2% (+1,9 pontos percentuais.). A evolução das receitas unitárias refletiu maior concorrência nos principais mercados e efeitos macroeconómicos no mercado norte-americano, com o PRASK (receita por passageiro por assento-quilómetro oferecido) a fixar-se em 6,96 cêntimos (-2,3%).
Os custos operacionais recorrentes atingiram 4.070 milhões de euros (um crescimento de 3,6%), com aumentos nos custos de tráfego (+6,7%), pessoal (+7,9%) e depreciações e amortizações (+10,8%), parcialmente compensados pela redução dos custos com combustível (-5,4%).
O CASK (custo por passageiro por assento-quilómetro oferecido) recorrente aumentou 0,5% para 7,36 cêntimos, enquanto o CASK recorrente excluindo combustível aumentou 3,7% para 5,57 cêntimos.
Citado no comunicado o CEO Luís Rodrigues referiu que “em 2025, a TAP apresentou resultados sólidos, suportados por uma procura resiliente de passagens em toda a rede, principalmente na segunda metade do ano, e por um contributo relevante do negócio de Manutenção, que continuou a reforçar o seu peso nas receitas totais”.
Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçámos a posição financeira da companhia
“Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçámos a posição financeira da companhia”, sublinhou.
A TAP acrescentou que registou um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente de 742,9 milhões de euros, com uma margem de 17,2%, e um EBIT recorrente de 243,4 milhões (margem de 5,6%), “num ano marcado por um primeiro trimestre particularmente desafiante”.
Quarto trimestre no ‘vermelho’
Depois de um verão auspicioso, em que companhia conseguiu um lucro de 125,9 milhões no terceiro trimestre, para acumular um resultado positivo de 55,2 milhões até setembro, o quarto trimestre acabou por ser negativo.
O resultado líquido nos últimos três meses foi um prejuízo de 51 milhões “substancialmente impactado por um efeito externo, nomeadamente pelo ajuste no IRC, no valor de 42 milhões, decorrente da reavaliação dos ativos por impostos diferidos após a redução progressiva da taxa de IRC introduzida pela Lei n.º 64/2025″. Excluindo este efeito, o resultado líquido teria sido negativo em 9,1 milhões, concluiu a empresa.
Em termos operacionais, contudo, período de outubro a dezembro foi positivo e a TAP transportou 4 milhões de passageiros, um aumento de 4,9% face ao quarto trimestre de 2024, tendo operado aproximadamente 29 mil voos, um aumento de 1,1% face ao período homólogo.
Quatro anos seguidos de lucros
Luís Rodrigues sublinhou que o desempenho da empresa “suportou um resultado líquido positivo pelo quarto ano consecutivo”.
Para 2026, a empresa prevê “crescimento disciplinado e sustentável, suportado pela expansão e modernização da frota com aeronaves Airbus NEO, reforçando eficiência operacional e sustentabilidade”.
A TAP explicou ainda que “o crescimento deverá ser impulsionado sobretudo pela rede transatlântica, com destaque para o Brasil, e pela expansão das operações a partir do Porto, incluindo novas rotas e o desenvolvimento de um hub de Manutenção”.
“A resiliência da procura e a dinâmica positiva das reservas deverão suportar load factors mais elevados e a melhoria das receitas unitárias, apesar do aumento da capacidade”, adiantou.
Sem se referir diretamente aos impactos da guerra no Médio Oriente, a TAP prevê que “a evolução dos preços do combustível deverá ser parcialmente mitigada por ajustamentos de pricing alinhados com as tendências de mercado, mantendo-se o foco nos principais mercados e na qualidade da receita”.
Na semana passada terminou o prazo para entrega de propostas não vinculativas para compra a aquisição de uma posição minoritária na privatização da companhia área portuguesa. Com a IAG, que detém a Iberia e a British Airways, a não apresentar uma proposta, a corrida vai ser disputada entre a Lufthansa e a Air France-KLM.
O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, sublinhou esta terça-feira que a Parpública tem agora cerca de 30 dias para a apresentação do relatório sobre as propostas. No entanto, este prazo pode ser interrompido se houver lugar a pedidos esclarecimento aos dois concorrentes. Apenas após a entrega do relatório ao Governo este enviará os convites para a entrega de propostas vinculativas.
(Notícia atualizada às 7h24 com mais informação e citações)
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