PIB dos EUA trava a fundo no quarto trimestre

A economia norte-americana cresceu apenas 0,5% em termos anuais entre outubro e dezembro de 2025, ficando muito longe dos 4,4% registados no trimestre anterior e abaixo dos 0,7% esperados.

ECO Fast
  • A economia dos EUA apresentou um crescimento real do PIB de apenas 0,5% no quarto trimestre de 2025, uma queda acentuada relativamente ao trimestre anterior.
  • O encerramento parcial do Governo federal entre outubro e novembro de 2025 subtraiu cerca de um ponto percentual ao crescimento do PIB, impactando negativamente a economia.
  • Apesar da desaceleração, os lucros das empresas aumentaram significativamente e o consumo privado manteve-se dinâmico, sugerindo uma resiliência no mercado.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A economia dos EUA fechou 2025 com uma travagem brusca no quarto trimestre. Após um verão de euforia económica, a maior economia do mundo encerrou o ano passado com um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,5% em taxa anualizada no quarto trimestre, de acordo com a terceira e mais recente estimativa do Bureau of Economic Analysis (BEA), divulgada esta quinta-feira.

O valor fica não só muito aquém dos 4,4% registados no terceiro trimestre como também surpreende pela revisão em baixa: a segunda estimativa apontava para 0,7%, e a estimativa avançada inicial chegou a projetar 1,4%.

“A revisão em baixa reflete principalmente uma revisão negativa ao investimento”, destaca o BEA em comunicado, notando que há um fator de contexto que não pode ser ignorado: o encerramento parcial do Governo federal entre 1 de outubro e 12 de novembro de 2025, que “subtraiu cerca de um ponto percentual ao crescimento do PIB real no quarto trimestre.” Sem esse efeito, o número final seria materialmente diferente.

Num cenário de desaceleração, o consumo privado foi o principal amortecedor. As “vendas finais reais a compradores domésticos privados”, que agregam o consumo das famílias e o investimento privado fixo, cresceram 1,8% no trimestre, o que demonstra que o consumidor norte-americano manteve algum dinamismo, apesar do abrandamento geral, destaca o relatório do BEA.

É aqui que entra um dos indicadores mais acompanhados pela Reserva Federal (Fed): o PCE, sigla em inglês para Personal Consumption Expenditures, ou Despesas de Consumo Pessoal, o índice de preços preferido do banco central norte-americano para medir a inflação, uma vez que capta como as famílias ajustam os seus hábitos de consumo face à variação de preços, algo que o tradicional IPC (Índice de Preços no Consumidor) não reflete com a mesma precisão.

O índice de preços das compras domésticas brutas aumentou 3,7% no quarto trimestre”, o que significa que enquanto a inflação não regressar de forma sustentada aos 2%, a Fed tem margem limitada para cortar taxas.

No quarto trimestre de 2025, o índice PCE cresceu 2,9% em termos anualizados. Excluindo alimentação e energia, ficou em 2,7%. Os dados mensais mais recentes, referentes a março, apontam para um PCE global a subir 0,4% em cadeia, enquanto o PCE core, que exclui energia e alimentação, também avançou 0,4% no mês e manteve-se em 3% em termos homólogos, ligeiramente acima do objetivo de 2% da Fed.

“O índice de preços das compras domésticas brutas aumentou 3,7% no quarto trimestre“, refere o comunicado do BEA. Isto significa que enquanto a inflação não regressar de forma sustentada aos 2%, a Fed tem margem limitada para cortar taxas, o que mantém a pressão sobre o crédito e o custo de financiamento das empresas e famílias. Mas nem tudo foi negativo na economia americana no quatro trimestre do ano passado:

  • Os lucros das empresas, após ajustamentos de inventários e de consumo de capital, subiram 246,9 mil milhões de dólares no quarto trimestre, acima dos 175,6 mil milhões do trimestre anterior.
  • O Rendimento Interno Bruto (GDI) real cresceu 2,6%, o que sugere que a economia gerou rendimento a um ritmo mais robusto do que o PIB isolado indica.
  • E no mercado de trabalho, os pedidos iniciais de subsídio de desemprego situaram-se em 219 mil na última semana, acima das 210 mil previstas e das 202 mil da semana anterior. Já os pedidos continuados ficaram em 1,794 milhões, abaixo dos 1,828 milhões esperados, o que sugere que, apesar de algum nervosismo na entrada no mercado de trabalho, a permanência no emprego é ainda relativamente estável.

Numa perspetiva anual, o PIB real dos EUA cresceu 2,1% em 2025, impulsionado principalmente pelo consumo das famílias e pelo investimento – um valor que já era identificado na anterior estimativa. “De uma perspetiva regional, o PIB real cresceu em todos os 50 estados e no Distrito de Columbia“, refere o relatório, num reflexo direto do encolhimento da máquina federal.

A próxima publicação do BEA, marcada para 30 de abril, trará a estimativa avançada do PIB do primeiro trimestre de 2026, precisamente o período em que as tarifas comerciais do Governo de Donald Trump começaram a produzir efeitos mais visíveis na economia.

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