Ranking: Valor de mercado da UnitedHealth caiu para metade num ano. 7 seguradoras europeias no TOP 25
GlobalData indica que o valor de mercado em bolsa das seguradoras de saúde americanas está em baixa. Por contraste, Europa e Ásia sobem. Berkshire Hathaway é a que mais vale. Veja o ranking.
A capitalização bolsista das 25 maiores seguradoras mundiais está a fragmentar-se por regiões, com os gigantes norte-americanos de saúde managed care a perderem cerca de 226 mil milhões de dólares em valor num só ano, enquanto grupos europeus e asiáticos ganham terreno. A conclusão, avançada pela consultora GlobalData, aponta para uma reavaliação estrutural do risco em saúde e vida no primeiro trimestre de 2026, num contexto marcado por pressão regulatória, inflação dos custos médicos e instabilidade geopolítica.
Segundo Murthy Grandhi, analista da GlobalData, “a capitalização agregada das 25 maiores seguradoras caiu de forma significativa em termos homólogos, mas as perdas estão altamente concentradas”. Cinco seguradoras dos EUA — UnitedHealth Group, Elevance Health, Progressive, Cigna e Aflac — foram responsáveis por uma destruição de valor de cerca de 226 mil milhões de dólares entre março de 2025 e março de 2026. “Não se trata de uma crise do setor, mas sim de um colapso específico do modelo de managed care norte-americano”, sublinha.
A crise do Managed Care na saúde americana
O Managed Care é um sistema de seguro de saúde que integra o financiamento e a prestação de cuidados médicos, visando reduzir custos e gerir a utilização de serviços, mantendo a qualidade. Utiliza redes credenciadas de prestadores, sejam médicos ou hospitais, exigindo frequentemente autorizações prévias e a escolha de um médico para coordenar o atendimento.
É mais rígido que o sistema normalmente usado pelas seguradoras em Portugal. Por cá é mais flexível com redes e preços negociados, baixa restrição ao acesso e elevada liberdade de escolha para o cliente.
Nos Estados Unidos a assistência governamental à saúde das populações é frequentemente contratada a seguradoras privadas, através do programa federal Medicare que cobre principalmente pessoas com 65 anos ou mais além de algumas pessoas com deficiência ou doença renal terminal, e do Medicaid, programa federal e estadual que cobre pessoas de baixa rendimento, famílias com crianças, pessoas com deficiência e idosos pobres. A sua operacionalização é fonte de rendimento para as seguradoras, mas sofreu um revés com a administração Trump a baixar financiamentos.
O caso UnitedHealth
A UnitedHealth Group, maior seguradora do mundo em volume de prémios, lidera as perdas de valor de empresa, com uma queda de cerca de 48% na capitalização bolsista, de 472 mil milhões para 245,6 mil milhões de dólares. A empresa sofreu uma forte correção em bolsa após alertar para uma quebra anual de receitas, a primeira em mais de 30 anos. Apesar de ter registado um crescimento de 12% em 2025, para 447,6 mil milhões de dólares em prémios, a previsão para 2026 aponta para uma redução para níveis de 439 mil milhões.
A pressão não vem apenas do lado operacional. Investigações criminais e civis do Departamento de Justiça dos EUA relacionadas com práticas de faturação no Medicare continuam em curso, centradas na eventual inflação de diagnósticos para obter maiores reembolsos. Em paralelo, a proposta de atualização de preços para 2027 neste programa público é praticamente nula (0,09%), muito abaixo das expectativas do mercado, o que reforça a pressão sobre as margens. Pelo caminho, o assassinato do seu CEO Brian Thompson, em 4 de dezembro de 2024, não trouxe nenhum extra à reputação da empresa.
Também a Elevance Health (-34,5%) e a Cigna (-20,2%) refletem esta tendência por vias distintas. No caso da Elevance, o rácio de custos médicos atingiu 92,4% no quarto trimestre de 2024, enquanto o rácio médio de sinistralidade no managed care subiu para 90,7%, mais 4,5 pontos percentuais em termos homólogos — sinais de um desajuste estrutural na precificação do risco, explica a GlobalData.
Já a Progressive (-29,1%) enfrenta uma normalização após ganhos excecionais durante a pandemia, sobretudo no seguro automóvel, com o regresso da concorrência e a deterioração dos rácios de sinistralidade.
Europa e Ásia ganham protagonismo
Em contraciclo, seguradoras europeias e asiáticas reforçaram a sua posição global, ocupando agora sete dos dez primeiros lugares do ranking — um cenário impensável há poucos anos.
Allianz (3ª), Chubb (6ª), Zurich (9ª), AXA (10ª) Munich Re (12ª), Generali (16ª), Swiss Re (20ª), são as 7 europeias no TOP 25.
A AIA Group, com sede em Hong Kong, destaca-se com uma valorização de 38,8%, para 113,8 mil milhões de dólares, sustentada por um crescimento de 25% no valor do novo negócio, com destaque para a China continental (+27%). Também a Ping An (+18,2%) e a China Pacific Insurance (+22,7%) beneficiaram do estímulo económico lançado por Pequim no final de 2025, que impulsionou os mercados acionistas e os retornos dos investimentos.
No Canadá, a Great-West Lifeco (+17,7%) e a Manulife (+8,9%) resistem, enquanto na Europa a Allianz (+7,0%) e a Chubb (+7,1%) evidenciam a robustez de modelos diversificados e uma disciplina rigorosa na subscrição.
A exceção na Ásia é a Life Insurance Corporation of India (-17,3%), penalizada pela correção do mercado acionista indiano e pela sua elevada exposição doméstica a ações.
Já a Tokio Marine beneficia da normalização gradual das taxas de juro no Japão, que está a aumentar o rendimento das suas vastas carteiras obrigacionistas — uma tendência estrutural e não conjuntural.
Pressão global e mudança estrutural
A Berkshire Hathaway mantém-se como a maior seguradora do mundo, com uma capitalização de 1,03 biliões de dólares, apesar de uma queda de 9%. O seu modelo diversificado, que utiliza o setor segurador como motor de alocação de capital, continua a oferecer proteção face às pressões específicas do segmento de saúde nos EUA.
A GlobalData antecipa que três fatores — guerras comerciais, tensões no Médio Oriente e fragmentação geopolítica — continuarão a pressionar os balanços das seguradoras. As companhias de ramos não vida enfrentam o aumento de perdas no transporte marítimo, associado às disrupções no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho, enquanto cresce a procura por seguros de crédito e risco político.
Ao mesmo tempo, seguradoras de vida com exposição à China, como a AIA e a Ping An, enfrentam riscos cambiais caso se intensifique o conflito comercial entre EUA e China.
Perante este cenário, as seguradoras estão a adaptar-se com produtos indexados a tarifas e reavaliações mais frequentes de ativos. A região Ásia-Pacífico beneficia ainda de preços de resseguro mais favoráveis e de níveis sólidos de solvência.
A conclusão é clara: em 2026, a linha que separa vencedores e perdedores passa pela disciplina na subscrição. “O crescimento a qualquer custo perdeu. Não estamos perante um ciclo de mercado, mas sim uma reavaliação estrutural do capital no setor segurador global”, conclui a GlobalData.
Veja o ranking GlobalData:

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