Trump “claramente desapontado” com NATO, mas (para já) não anuncia saída da Aliança
A desilusão de Trump com os aliados NATO foi tema da reunião do presidente dos EUA com o secretário-geral da Aliança. Não houve anúncio de saída dos EUA da organização.
Donald Trump parece ter refreado uma ação drástica para a saída dos EUA da NATO, mas a mensagem trazida da reunião com Mark Rutte é de que o presidente dos EUA está “claramente desapontado com muitos aliados NATO”. “A NATO não estava lá quando precisámos dela, e não vai estar lá quando precisarmos de novo”, atirou o Presidente dos EUA na rede social Truth.
“Ele está claramente desapontado com muitos aliados NATO e eu percebo o seu ponto de vista. Mas, ao mesmo tempo, também pude referir o facto de que a grande maioria das nações europeias tem sido útil, com bases, com logística, com sobrevoos, com a garantia que cumprem com os seus compromissos. Foi uma conversa muito franca, muito aberta, mas também uma discussão entre dois bons amigos”, descreveu Mark Rutte, secretário-geral da NATO, sobre o encontro com Donald Trump na quarta-feira, em entrevista à CNN.
No encontro era esperado que o tema da eventual saída dos EUA da Aliança Atlântica fosse discutido. A oposição de vários países europeus NATO ao uso das suas bases por aviões norte-americanos em trânsito para o Médio Oriente e a recusa de enviar forças para desbloquear o Estreito de Ormuz enquanto decorriam hostilidades na região, aumentou a pressão na relação tensa entre Trump e a Europa que já tinha atingido picos de perturbação com a intenção de anexar a Gronelândia, território do Reino da Dinamarca, país membro da NATO.
Essa eventual discussão durante a reunião com Rutte foi mesmo referida pela porta-voz da Casa Branca, horas antes da reunião, num briefing com os jornalistas no pós-cessar-fogo com Irão. Karoline Leavitt disse ter uma mensagem do Presidente dos EUA sobre a Aliança Atlântica: “Foram testados e falharam.” Leavitt referiu ainda que Trump estava entusiasmado com uma conversa franca com Rutte e que a saída dos EUA da NATO seria provavelmente discutida. “É algo que o Presidente tem falado, e penso que é algo que o presidente irá discutir em algumas horas com o secretário-geral Rutte”, disse a porta-voz, citada pela Reuters.
Após a reunião, Rutte fala apenas de “desilusão” com a NATO. “Há claramente uma desilusão, mas ao mesmo tempo, ele também estava a ouvir com atenção os meus argumentos sobre o que estava a acontecer. Também lhe chamei a atenção para o facto de ter sido a sua liderança que permitiu o compromisso de despesa [em Haia]. Portanto, os 5% [de peso da despesa de defesa no PIB]. É uma mudança transformadora na NATO. É um legado transformador que ele deixa”, disse o secretário-geral da NATO, em entrevista à CNN quando questionado sobre se Trump manifestou intenção de sair da NATO ou de não apoiar tanto a Aliança Atlântica quanto anteriores presidentes.
Numa publicação na Truth Social — replicada pela Casa Branca na rede social X —, Donald Trump foi mais vocal. “A NATO não estava lá quando precisámos dela, e não vai estar lá quando precisarmos de novo. Lembrem-se da Gronelândia, esse grande, mal gerido, pedaço de gelo”, disse.
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O encontro entre Trump e Rutte ocorreu no mesmo dia em que os EUA e o Irão anunciaram um cessar-fogo de duas semanas, classificado pelos EUA como uma “vitória decisiva”, depois de Trump ter ameaçado fazer desaparecer “toda uma civilização” caso o Irão não cedesse. Questionado sobre se esse tipo de afirmações não o incomodava como diplomata, Rutte respondeu com uma mensagem de apoio à ação de Trump contra o Irão.
“O que digo sempre sobre o que dizem os líderes, não comento sobre tudo. O que eu quero que saibam é que eu apoio o presidente e uma larga da maioria da Europa também no que toca a retirar a capacidade do Irão em exportar caos para a região, para a Europa, para o mundo”, disse o secretário-geral na entrevista à CNN.
“Eles são um dos grandes apoiantes do esforço de guerra russo na Ucrânia, sabemos todos isto, com os drones; é uma ameaça existencial a Israel, se tivessem acesso a capacidades nucleares…”, acrescenta. “É bom tentarmos negociar, mas sabemos que com a Coreia do Norte levou demasiado tempo e depois a Coreia do Norte teve acesso ao nuclear e depois não conseguimos negociar e eles têm esse poder.”
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