Benfica admite ampliar emissão obrigacionista de 40 milhões de euros se houver procura

A Benfica SAD lançou uma emissão obrigacionista de 40 milhões de euros a 5 anos, mas o CFO Nuno Catarino deixou a porta aberta para ir mais longe caso o apetite dos investidores assim o justifique.

ECO Fast
  • A Benfica SAD iniciará na próxima segunda-feira uma emissão obrigacionista de 40 milhões de euros a cinco anos, com uma taxa de 4,65%, podendo aumentar o montante se as condições de mercado forem favoráveis.
  • O clube enfrenta uma preocupação significativa com a centralização dos direitos televisivos prevista para 2028/29, que poderá resultar numa perda de 5 a 15 milhões de euros por época, segundo o CFO Nuno Catarino.
  • A estratégia do Benfica inclui trabalhar com diferentes cenários relativamente à centralização, mantendo a confiança na sua solidez financeira e capacidade de financiamento nos mercados de capitais.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Benfica SAD vai arrancar na segunda-feira com uma emissão obrigacionista de 40 milhões de euros a cinco anos, com uma taxa de cupão de 4,65%, e o seu vice-presidente e CFO, Nuno Catarino, não descarta aumentar esse montante se as condições de mercado o justificarem.

Porém, o responsável financeiro do clube da Luz revelou ao ECO, numa entrevista que será publicada por inteiro na segunda-feira, que a maior preocupação no horizonte não é o financiamento imediato, mas a centralização forçada dos direitos televisivos dentro de dois anos, que pode fazer o Benfica perder entre 5 milhões e 15 milhões de euros por época face ao que recebe hoje, um cenário que considera “inaceitável”.

O empréstimo obrigacionista, que arranca na segunda-feira, é o primeiro da Benfica SAD com maturidade de cinco anos – as anteriores eram sobretudo a três – e serve para reembolsar parcialmente os 50 milhões de euros em obrigações que vencem a 17 de maio. Os 10 milhões de euros restantes serão cobertos pela tesouraria corrente do clube. “Nós vamos para uma emissão obrigacionista de 40 milhões porque sabemos que podemos pagar os 50 milhões com a tesouraria corrente”, garantiu Nuno Catarino.

Nuno Catarino, CFO e administrador executivo da Benfica SAD, em entrevista ao ECOHenrique Casinhas/ECO

O vice-presidente do Benfica não excluiu um eventual aumento do montante da emissão, tal como sucedeu no ano passado, em função da crescente procura, mas ressalvou que, a concretizar-se, esse valor extra servirá sobretudo para abater linhas de crédito bancário, e não para financiar investimentos na equipa. Contudo, é no tema da centralização dos direitos televisivos que Nuno Catarino se revela mais combativo.

O Benfica não precisa da centralização. Nós temos feito investimentos significativos e se calhar o Benfica já investiu mais no produto de televisão do que todos os outros clubes da Liga Portuguesa somados da primeira à última divisão.

Nuno Catarino

Vice-presidente e CFO da Benfica SAD

O modelo previsto na lei, que deverá entrar em vigor na época 2028/29, pode fazer o Benfica perder entre “5 a 15 milhões de euros” por época, segundo estimativas do CFO dos encarnados, com base nos 220 milhões a 225 milhões de euros estimados para o pacote total de direitos, que Nuno Catarino considera “francamente por cima” e inflacionado.

O argumento é que os encarnados não precisam da centralização para valorizar o seu produto. “O Benfica não precisa da centralização. Nós temos feito investimentos significativos e se calhar o Benfica já investiu mais no produto de televisão do que todos os outros clubes da Liga Portuguesa somados da primeira à última divisão”, afirmou Nuno Catarino, lembrando que o clube acabou de renovar o contrato com a NOS por cerca de 52 milhões de euros por época para os próximos dois anos.

A posição do Benfica não é, porém, de bloqueio total. O CFO da Benfica SAD defende uma “centralização voluntária”, em que apenas os clubes que o desejarem se associem, ou, em alternativa, um adiamento do prazo para que o “trabalho de casa” seja feito.

E Nuno Catarino deixou uma revelação que não passou despercebida: está convicto de que a entrada de investidores estrangeiros em SAD portuguesas nos últimos anos tem sido motivada, pelo menos em parte, pela expectativa de valorização associada à centralização. “Eu não acho, tenho certeza”, afirmou, quando questionado sobre o tema.

Para já, e enquanto o desfecho legislativo permanece em aberto, a estratégia do Benfica passa por trabalhar “com diferentes cenários”, uma incerteza que, nas palavras de Nuno Catarino, não abala a confiança na solidez financeira do clube nem na sua capacidade de continuar a financiar-se nos mercados de capitais.

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