Desentendimento entre Notícias Ilimitadas e Global Media deixa assinantes do JN e O Jogo sem jornais

O conflito pode terminar com a venda da Notícias Direct à dona do JN e d'O Jogo. Até lá, a menos que surja um entendimento de última hora, os assinantes estão sem receber os títulos

ECO Fast
  • O desentendimento entre a Global Media e a Notícias Ilimitadas resultou na suspensão da entrega de jornais, afetando cerca de 6 mil assinantes.
  • A Notícias Direct, responsável pela distribuição, viu os custos aumentarem em 40 mil euros mensais devido a uma alteração unilateral nas condições comerciais pela Notícias Ilimitadas, empresa que não tem acesso aos dados dos seus assinantes.
  • A situação poderá ser resolvida com a venda da empresa de distribuição pela Notícias Ilimitadas, que já recebeu 350 mil euros de assinaturas anuais.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O desentendimento entre os acionistas da Global Media, dona da Notícias Direct, e da Notícias Ilimitadas está a deixar os assinantes do Jornal de Notícias (JN) e d’O Jogo sem receber os títulos. No total, a suspensão da entrega de jornais, comunicada pela empresa de Marco Galinha na tarde de quinta-feira, terá afetado cerca de seis mil assinantes dos jornais que, no verão de 2024, passaram a ser detidos maioritariamente pelo grupo liderado por Domingos de Andrade. A suspensão dos títulos ocorre cerca de um mês depois da Global Media se ter desvinculado da Notícias Ilimitadas.

“A entrega diária de edições impressas a assinantes do “Jornal de Notícias” e do desportivo “O Jogo” foi suspensa pela empresa que detém esta atividade. A empresa em causa, “Notícias Direct”, detida pelo Global Media Group, do empresário Marco Galinha, comunicou esta decisão ao mercado e aos colaboradores responsáveis pelas rotas de distribuição, lesando assim os milhares de subscritores deste serviço”, lia-se numa nota publicada no site do JN ao final da tarde de quinta-feira.

O motivo para a suspensão chegou horas mais tarde. “Durante mais de uma década, a Notícias Direct adquiriu regularmente estas publicações, assumindo integralmente a sua distribuição junto dos assinantes, num modelo contratual estável e plenamente operacional. Em setembro de 2025, a Notícias Ilimitadas alterou unilateralmente as condições comerciais em vigor, quebrando o equilíbrio contratual existente e gerando um impacto económico negativo significativo, que inviabilizou a continuidade da distribuição nos termos até então praticados“, escrevia a administração da Notícias Direct numa nota enviada ao +M/ECO.

Os argumentos das duas empresas parecem ser factuais, mas as perspetivas diferentes. Para além da distribuição, a Notícias Direct (ND) era também a empresa que na Global Media geria e comercializava as assinaturas dos títulos do grupo, que eram na sua esmagadora maioria dos jornais que foram vendidos à Notícias Ilimitadas.

Entre empresas do mesmo grupo, era então feita a compra dos títulos – com um desconto de 70% sobre o preço de capa – e a sua comercialização a assinantes. Da diferença, entre o preço da compra e o valor da assinatura, resultava a margem, com os assinantes a pertencerem, na prática, à Notícias Direct.

Com a mudança acionista, os novos donos do Jornal de Notícias e d’O Jogo não tinham então acesso à sua base de assinantes, nem forma de comunicar com eles, descreve fonte da administração ao +M. As queixas, de assinantes, terão também começado a avolumar-se.

“Cada leitor é um património inviolável, tem que ser bem cuidado. Não é tratá-los da forma como estão a ser tratados”, continua fonte da administração, realçando que para o leitor também não ficaria claro que que lidava com a Notícias Direct e não diretamente com a dona dos títulos.

Surge então, em fevereiro de 2025, a primeira intenção de cortar o desconto sobre o preço de capa dos jornais, o que acabou por se concretizar em outubro, com retroativos a setembro, mês em que o desconto feito pela Notícias Ilimitadas à Notícias Direct passou de 70% – o valor a partir do qual a APCT, que audita as vendas de jornais, considera que se trata de oferta – para 50%.

Na sequência desta decisão, diz Luís Figueiredo Trindade, CEO da Global Media e responsável da Notícias Direct, os custos aumentaram cerca de 40 mil euros mês. Ou seja, com um desconto de 70%, a empresa pagava 70 mil euros por mês à dona do Jornal de Notícias. Com o desconto a descer para os 50%, o montante a pagar escalou para os 110 mil euros.

Os números são dados pelo administrador do grupo, que resume as consequências em poucas frases. “Estávamos a perder dinheiro, para distribuir os jornais de terceiros”.

Concretiza-se então, esta quinta-feira, a decisão de suspender a atividade da empresa que, segundo fonte da Notícias Ilimitadas, já terá recebido cerca de 350 mil euros adiantados de assinaturas anuais.

A solução poderá vir a passar pela compra, por parte da Notícias Ilimitadas, da empresa de distribuição e comercialização de assinaturas. “Estamos disponíveis para vender”, diz Luís Figueiredo Trindade. “Para bem de todos, é desejável que a situação se resolva muito rapidamente“, conclui.

A Notícias Direct tinha também a comercialização e distribuição do Diário de Notícias – 140 assinantes – e a distribuição do Jornal Económico.

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