Espanha defende Exército europeu comum e recusa envio de militares NATO para Ormuz

"O Médio Oriente não está na esfera de ação da NATO", afirma o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol. Sánchez defende um Exército europeu comum já "amanhã".

Pedro Sánchez defendeu a necessidade da Europa reforçar a sua autonomia em termos de defesa, com uma política externa de segurança e defesa comum e, nesse contexto, defendeu que a Europa devia avançar já “amanhã” para um Exército europeu, e “não em dez anos, nem em dois”. Espanha é contra o envio de militares NATO para o Estreito de Ormuz exigido por Donald Trump.

O presidente do Governo de Espanha falava no “European Pulse Forum”, em Barcelona, tendo instado os países membros da União Europeia a suspender a associação com Israel perante as violações “flagrantes” do direito internacional em termos humanitários que está a cometer. “Não permitamos uma nova Gaza no Líbano”, disse o governante espanhol citado pela agência noticiosa EFE.

As afirmações de Sánchez geraram uma reação do governo israelita. “Israel não ficará em silêncio perante aqueles que nos atacam”, disse primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, num vídeo partilhado na rede social X. Nesse sentido, decidiu expulsar Espanha do centro de coordenação do cessar-fogo em Gaza, estabelecido durante o final de novembro em Israel como parte do plano de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, que serviu de base para o cessar-fogo em Gaza.

“Aqueles que atacam o Estado de Israel em vez de regimes terroristas não serão nossos parceiros no que diz respeito ao futuro da região. Não estou disposto a tolerar esta hipocrisia e hostilidade”, argumentou. “Não pretendo permitir que nenhum país trave uma guerra diplomática contra nós sem pagar um preço imediato”, disse.

‘Não’ ao envio de tropas NATO para Ormuz

Espanha mostrou também a sua oposição ao envio de tropas NATO para o Estreito de Ormuz exigido por Donald Trump. “A NATO não irá participar nesta guerra”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares Bueno, citado pelo Euronews.

“A NATO não tem qualquer envolvimento nesta guerra. Nós, os aliados, não fomos informados ou consultados”, disse Albares Bueno, numa audição no Senado espanhol. “O Médio Oriente não está na esfera de ação da NATO, e por isso, não apenas nós, mas muitos aliados têm expressado o mesmo sentimento: a NATO não irá participar nesta guerra”.

A Espanha tem desde a primeira hora sido vocal na sua oposição à ação militar levada a cabo pelos EUA e Israel no Irão, tendo inclusive fechado acesso a bases e ao espaço aéreo a aeronaves norte-americanas em trânsito para o Médio Oriente.

A oposição de Espanha, bem como de outros países da Aliança, tem gerado descontentamento junto a Trump que terá exigido, durante a visita de Mark Rutte, secretário-geral da NATO, à Casa Branca compromissos da parte dos países aliados para o envio de forças militares para o Estreito de Ormuz que, apesar do cessar-fogo de duas semanas decretado entre os EUA e Irão, mantém-se praticamente bloqueado.

A posição de Trump — que Rutte terá transmitido a várias capitais europeias — foi vista por vários diplomatas europeus como um ultimato da Administração norte-americana que tem vindo a ameaçar com a saída dos EUA da Aliança que há mais de 70 anos une Europa, EUA, Canadá e Turquia.

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