Lucro do Benfica cai 16% no primeiro semestre para 29 milhões de euros
Eleições e menor contribuição da SAD explicam a descida dos resultados líquidos do clube. Já os fundos patrimoniais crescem de forma expressiva, mas a explicação é mais aritmética do que económica.
- A eleição da atual direção do Benfica custou 3,2 milhões de euros, contribuindo para uma queda de 16% no resultado líquido do clube.
- Os fundos patrimoniais do Benfica aumentaram 341%, atingindo 37,3 milhões de euros, devido a uma base de comparação historicamente baixa no exercício anterior.
- A atividade corrente do clube mostrou evolução positiva, com um crescimento de 6% no resultado operacional recorrente, apesar de desafios financeiros e subida dos custos operacionais.
Eleger a atual direção do Benfica custou 3,2 milhões de euros aos cofres do clube da Luz. O processo eleitoral para os Órgãos Sociais do clube, realizado a duas voltas entre os sócios encarnados, foi um dos principais fatores que explica por que razão o Sport Lisboa e Benfica – enquanto clube, distinto da SAD – encerrou o primeiro semestre do exercício 2025/2026 com um resultado líquido de 29 milhões de euros, uma queda de 16% face ao período homólogo.
Ao mesmo tempo, e num aparente paradoxo, os fundos patrimoniais do clube dispararam 341%, para 37,3 milhões de euros, segundo um comunicado do clube divulgado esta sexta-feira.
Este salto exponencial nos fundos patrimoniais prende-se, essencialmente, com a dimensão da base de comparação. No final do exercício anterior – a 30 de junho de 2025 -, esses fundos situavam-se em apenas 8,5 milhões de euros, um nível historicamente baixo. Com o registo de um resultado líquido positivo de 29 milhões de euros, o aumento em termos absolutos foi de 28,8 milhões de euros. Sobre uma base tão reduzida, esse acréscimo equivale a uma variação percentual de 341%.
As receitas de quotização dos sócios atingiram 12,4 milhões de euros (+12%) e o merchandising chegou aos 11,5 milhões de euros (+5%), ambas as rubricas com “os melhores registos de sempre do clube num primeiro semestre”.
O comunicado do clube explica isso mesmo, notando que a melhoria dos fundos patrimoniais foi “impulsionada pelo resultado líquido do período positivo” e não por qualquer entrada de capital extraordinária ou operação financeira atípica.
Já a queda de 16% no resultado líquido resulta da confluência de três fatores não recorrentes:
- O processo eleitoral para os Órgãos Sociais do mandato 2025-2029, realizado em duas voltas, que custou 3,2 milhões de euros ao clube, que tem em conta um desvio significativo face aos 0,55 milhões de euros previstos no orçamento, que o clube justifica com os encargos contratados à empresa Multicert, do Grupo SIBS, responsável pela validação dos votantes e pela certificação do ato eleitoral, acrescidos de gastos com pessoal e IVA não dedutível.
- Um menor impacto do rendimento da transferência do futebol feminino para a Benfica SAD, de apenas 400 mil de euros neste semestre, contra 2,5 milhões de euros no período homólogo.
- A menor contribuição do resultado da própria SAD, registada através do Método da Equivalência Patrimonial (MEP), uma regra contabilística que obriga o clube a inscrever nas suas contas a sua quota-parte dos resultados das entidades em que participa.
Isolando estes efeitos não recorrentes, a atividade corrente do clube apresentou uma evolução positiva. Os resultados divulgados esta sexta-feira mostram um crescimento de 6% do resultado operacional recorrente do clube para 6,7 milhões de euros, com os rendimentos operacionais recorrentes a subirem 3%, para 36,8 milhões de euros.
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As receitas de quotização dos sócios atingiram 12,4 milhões de euros (mais 12% face ao período homólogo) e o merchandising chegou aos 11,5 milhões de euros (+5%), ambas as rubricas com “os melhores registos de sempre do clube num primeiro semestre” de futebol.
Em sentido contrário estão os royalties de utilização da marca Benfica, que recuaram 9%, para 8,8 milhões de euros, reflexo direto da “diminuição dos rendimentos da Benfica SAD”, conforme sublinha o comunicado, além de notar que os gastos operacionais recorrentes cresceram 2%, para 30 milhões de euros, ficando assim abaixo do ritmo de expansão dos rendimentos.
No balanço do clube da Luz, o ativo total do clube ascendeu a 122,6 milhões de euros (+36%), evolução explicada sobretudo pelo crescimento das participações financeiras por via do MEP e pelo “aumento dos outros créditos a receber, decorrente de acréscimos de rendimentos associados a entidades do Grupo Benfica”.
O passivo externo ao grupo Benfica – indicador mais relevante para medir o endividamento real do clube junto de terceiros – reduziu-se 5%, para 36,5 milhões de euros, mostram ainda os números revistos pelo Conselho Fiscal do clube, mas não objetos de auditoria.
Numa perspetiva consolidada, que incorpora todas as entidades do grupo Benfica, o resultado líquido atingiu os 44,6 milhões de euros, dos quais 29,5 milhões de euros são atribuíveis ao Sport Lisboa e Benfica, com o ativo consolidado a totalizar 650 milhões de euros, um crescimento homólogo de 13,8%, e a dívida líquida a situar-se nos 204 milhões de euros.
É apenas a segunda vez na história do clube que o Benfica apresenta contas intercalares do Sport Lisboa e Benfica – a primeira ocorreu em março do ano passado, altura em que o ECO noticiou o ambicioso plano da direção encarnada para aumentar as receitas consolidadas do universo Benfica para 500 milhões de euros em cinco anos.
A divulgação destas contas resulta da entrada em vigor dos novos Estatutos do clube, que introduziram maiores exigências de transparência financeira, antecipando uma perspetiva consolidada que, no final do exercício, será apresentada em Assembleia Geral.
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