Mau tempo. Seguro exige relatório ao Governo

No balanço da primeira presidência aberta, pelas zonas atingidas pelo mau tempo, Seguro defende que é preciso "acelerar apoios e, sobretudo, tirar ilações para o futuro" do que realmente aconteceu .

O Presidente da República vai exigir um relatório ao Governo que explique “preto no branco” o que realmente aconteceu no chamado comboio das tempestades que devastou o país, avisando que é “preciso tirar ilações”. Não se comprometeu a fixar datas: “Eu não vou fixar um prazo para se apresentar esse relatório, mas isso é devido ao país”. E apelou às “seguradoras para “acelerarem aquilo que é a validação dos relatórios que os peritos já fizeram”.

Presidência Aberta 2026: Presidente da República, António José Seguro, em visita a Leiria e Marinha Grande, nas zonas afetadas pela tempestade Kristin.Rui Miguel Pedrosa/ECO 10 abril, 2026

“Será um relatório geral, como queiram chamar-lhe, para que, de facto, o país possa confrontar-se com a realidade e com lucidez, e em função dos recursos que tem, e para se organizar melhor a capacidade de resposta” às intempéries que devastaram o país nos finais de janeiro e também nos dias iniciais de fevereiro”, afirmou o chefe de Estado, na sua declaração final na Marinha Grande, Leiria, esta sexta-feira, após cinco dias intensos da sua primeira Presidência Aberta.

Depois de ter ter percorrido zonas afetadas pelas tempestade e escutado as preocupações de populares, empresários e autarcas, António José Seguro fez um balanço do que viu e sentiu.

Não podemos continuar a passar o tempo sem que tenhamos um documento que explique verdadeiramente o que é que se passou nestes dias finais de janeiro e também nos dias iniciais de fevereiro”, sustentou o chefe de Estado, após uma reunião que durou cerca de duas horas com dezenas de autarcas dos distritos de Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Santarém; precisamente os distritos onde auscultou a população durante esta semana.

Neste encontro sobre o impacto das tempestades e os caminhos de recuperação dos territórios afetados, participaram ainda o ministro da Economia e Coesão Territorial, Castro Almeida, assim como elementos da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR) Centro, Comunidades Intermunicipais.

Só sabendo “o que é que correu bem, o que é que correu mal, quais foram os apoios e os meios que chegaram mais tarde”, é que se pode “tirar ilações”, defendeu, manifestando a sua preocupação face às denúncias de falta de comunicações por parte de autarcas e municípios ao longo desta semana.

Ficou claro que manifesta “muita preocupação quanto à falta de redundância de telecomunicações, do fornecimento de energia elétrica, da desobstrução de redes viárias”.

E não se inibiu de manter um discurso de alguma exigência para que os “municípios, os responsáveis do Estado descentralizado e o Governo acelerem o processo“, justificando que a “responsabilidade não pode ser apenas do Estado”. Nem as “empresas e seguradoras”, às quais pediu que “acelerem a validação dos relatórios dos peritos”, se livraram do aviso.

António José Seguro deixou um aviso: “Não pode ficar tudo na mesma”. E comprometeu-se a continuar a sua “vigília em relação a esta reconstrução da zona Centro”. A promessa será cumprida já na próxima semana, durante uma reunião no Palácio de Belém com especialistas em catástrofes naturais. E nem de fora ficará a época dos incêndios que se aproxima.

Presidência Aberta 2026: Presidente da República, António José Seguro, em visita a Leiria e Marinha Grande, nas zonas afetadas pela tempestade Kristin.Rui Miguel Pedrosa/ECO 10 abril, 2026

“Levo com muita preocupação o período dos incêndios”, enfatizou, alertando para as “poucas semanas” que se tem pela frente “para acelerar trabalhos”, designadamente a limpeza de caminhos.

Depois dos avisos e pedidos deixados durante o discurso, também houve tempo para o chefe de Estado elogiar as situações que até estão a correr bem, assegurando que irá manter uma “cooperação exigente” com o Governo.

Por fim, deixou um apelo final no sentido de ser mantido “o nível de ajuda e proximidade” e a garantia de acelerar apoios e adaptar medidas.

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