Montenegro ainda acredita em acordo na lei do trabalho, mas avisa que negociação não vai ter “prolongamento grande”
Ministra do Trabalho tinha avisado que consulta dos parceiros sociais aos seus órgãos sociais seria definitiva, mas há sinais de que negociação da lei laboral poderá, afinal, ser retomada.
O primeiro-ministro garantiu, esta sexta-feira, que ainda acredita ser possível um acordo com os parceiros sociais em torno da reforma da lei do trabalho, mas avisou que “não vale a pena ter a expectativa” de que o processo negocial tenha um “prolongamento grande”. Um dia depois de a UGT ter rejeitado a proposta atual, Luís Montenegro adiantou que espera que, nos próximos dias, “se possam afinar posições e tomar decisões”.
“Não vale a pena ter uma expectativa de prolongamento grande deste processo. O que podemos esperar — é aquilo que espero também — é que, nos próximos dias, se possam afinar posições e tomar decisões“, disse o chefe do Executivo, em declarações transmitidas pela RTP Notícias.
“Acredito que é possível acordo, e que este acordo é a base de sustentação de uma proposta, que naturalmente o Parlamento tem liberdade de acolher ou não”, sublinhou Luís Montenegro.
Aos jornalistas, o primeiro-ministro fez questão, contudo, de notar que a competência legislativa é do Parlamento, avisando que, em tese, até podia “dar-se a circunstância de haver acordo na Concertação Social e a lei da Assembleia da República ser contrária”. Da mesma forma, é possível não haver um entendimento entre os parceiros sociais e o Parlamento acordar numa lei, disse.
Ao longo dos últimos oito meses, o Governo nunca fez segredo disso mesmo: valoriza a Concertação Social, mas, caso não seja possível um acordo nessa sede, não vai desistir de reformar o Código do Trabalho.
A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, chegou mesmo a esclarecer que, se houver acordo, a proposta de lei que passará ao Parlamento traduzirá esse entendimento. Caso tal não aconteça, o Governo vai enriquecer a sua proposta inicial com os contributos recebidos, enviando-a, então, para a ‘casa da democracia’.
Na quinta-feira, já depois do “não” da UGT à proposta atual, André Ventura aproveitou para reiterar a disponibilidade do Chega para viabilizar esta revisão laboral no Parlamento, se forem cumpridas cinco condições: o “sim” do Chega depende de a lei não prejudicar as mães trabalhadoras, não se incentivar “despedimentos discricionários”, de se rever as licenças de maternidade e a remuneração do trabalho por turnos, e de que se assegure uma legislação laboral “flexível, mas não selvagem”.
Em paralelo, o Presidente da República, António José Seguro, tem apelado à continuação do diálogo ainda na Concertação Social — na corrida a Belém, chegou a sinalizar que vetaria este pacote, se não houver acordo nessa sede.
“Estamos num processo negocial com os parceiros sociais, que vamos terminar em breve. Depois, o Governo tomará uma decisão final sobre a proposta a enviar ao Parlamento. O Parlamento decidirá. O senhor Presidente da República terá a sua intervenção no processo legislativo mais à frente. Não desconhecemos as posições que o senhor Presidente da República já manifestou. Sabemos interpretá-las e levá-las em consideração”, atirou esta manhã o primeiro-ministro, quando questionado sobre essa posição do Chefe de Estado.
(Notícia atualizada às 12h11)
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