Navio turco chega à Somália para prospeção de petróleo e gás

  • Lusa
  • 10 Abril 2026

Estudos sísmicos avaliaram em 30 mil milhões de barris as possíveis reservas de petróleo e gás na Somália.

Um navio de perfuração turco atracou esta sexta-feira no porto de Mogadíscio, a capital da Somália, para iniciar as primeiras perfurações petrolíferas ao largo deste país devastado por décadas de guerra, anunciaram as autoridades turcas e somalis.

A chegada do navio ao porto foi assinalada por uma cerimónia que contou com a presença do ministro da Energia e dos Recursos Naturais da Turquia, Alparslan Bayraktar, e do Presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, de acordo com a agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

“O navio é gigantesco, nunca vimos nada assim neste porto antes”, exclamou um funcionário do porto de Mogadíscio à reportagem da AFP, referindo-se ao Cagri Bey, um navio com a proa vermelha adornada com uma estrela e um crescente brancos, as cores da Turquia.

Um acordo de “exploração e produção de hidrocarbonetos” foi assinado em 2024 entre a Turquia e a Somália, autorizando a companhia petrolífera nacional turca a analisar três zonas com um total de cerca de 15 mil quilómetros quadrados, e no final desse ano o Oruç Reis, também com bandeira turca, realizou pesquisas sísmicas nestes três blocos para identificar as zonas de perfuração.

Os estudos sísmicos realizados pelo Oruç Reis permitiram “identificar uma estrutura geológica muito promissora”, lembrou o ministro turco na cerimónia, acrescentando: “Batizámos este poço de Curad, que significa ‘primeiro filho’ em somali”.

A profundidade neste local é de 3.500 metros e a perfuração deverá descer até 4 mil metros abaixo do fundo do mar, disse o governante, salientando que isto equivale “a uma profundidade total de 7.500 metros, tornando-o o segundo projeto de perfuração mais profundo do mundo”.

Ancara é um dos principais parceiros militares e económicos da Somália, e o país africano alberga a maior base militar turca no estrangeiro em Mogadíscio, inaugurada em 2017. Estudos sísmicos avaliaram em 30 mil milhões de barris as possíveis reservas de petróleo e gás na Somália, segundo o Ministério do Comércio dos EUA, que sublinha que uma eventual produção só pode começar após uma “exploração minuciosa que geralmente demora entre três a cinco anos”.

Antes da guerra civil que levou ao colapso do Estado somali em 1991, grandes empresas petrolíferas e de gás internacionais tinham celebrado acordos de exploração com o país, mas acabaram por sair do país. Duas empresas americanas, a Coastline Exploration e a Liberty Petroleum Corporation, assinaram em 2022 e 2024 com o Governo somali acordos de partilha de produção relativos a vários blocos ‘offshore’.

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