Petróleo caminha para queda semanal de 10%
Apesar de o Estreito de Ormuz continuar encerrado, os preços do petróleo mantinham nesta sexta-feira de manhã uma queda acumulada de mais de 10%. Porta está aberta para descida dos combustíveis.
- Os preços do petróleo estão a subir quase 2% devido ao encerramento do Estreito de Ormuz, mas acumulam uma perda semanal superior a 10%.
- A recente trégua de duas semanas no Médio Oriente foi um fator importante para a correção nos futuros do Brent, referência para as importações nacionais.
- Se a tendência de queda se mantiver, os portugueses poderão ter um alívio nos preços dos combustíveis na próxima semana.
Os preços do petróleo estão a subir quase 2% nesta sexta-feira, com o Estreito de Ormuz no Médio Oriente ainda encerrado, mas a matéria-prima ainda acumula uma perda semanal superior a 10%. A manter-se esta tendência, os preços dos combustíveis poderão ter algum alívio na próxima semana, como até já admitiu a associação dos revendedores, embora a situação se mantenha volátil.
O anúncio da trégua de duas semanas, na passada quarta-feira, foi o principal catalisador desta correção nos futuros do Brent, referência para as importações nacionais. Porém, as fragilidades no acordo entre os EUA e o Irão mantêm tudo em suspenso, numa altura em que o regime iraniano insiste no estrangulamento do Estreito de Ormuz, Israel continua os ataques no Líbano e Donald Trump já reconheceu que as condições atuais não são as que foram combinadas entre Washington e Teerão.
Evolução do preço do barril de Brent no último mês

Esta sexta-feira, deverão arrancar negociações para uma trégua mais definitiva no Médio Oriente, em Islamabad, no Paquistão, e os preços do petróleo estão a subir: os futuros do Brent aumentam 2%, para 97,8 dólares por barril, e o norte-americano WTI avança 1,97%, para 99,8 dólares. Entretanto, o barril de petróleo do Mar do Norte para entrega imediata, o Forties Blend, atingiu um preço recorde de quase 147 dólares, avança esta sexta-feira o jornal britânico Financial Times.
Todavia, e apesar de o crude continuar em níveis historicamente altos, as cotações estão abaixo dos 100 dólares por barril, e longe dos 119,5 dólares a que o Brent transacionou a 9 de março, o máximo desde o início da guerra no Médio Oriente. Um alívio para os investidores, mas sobretudo para a economia mundial. É neste contexto que surge a queda de mais de 10% acumulada nesta semana, segundo dados recolhidos pelo ECO esta sexta-feira de manhã.
A confirmar-se a tendência — o que, dada a instabilidade no Médio Oriente, é algo pouco certo –, os portugueses poderão ter um alívio nos preços dos combustíveis nas bombas a partir de segunda-feira.
Isso mesmo foi admitido, logo na quarta-feira, pela vice-presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec), que congrega as empresas que exploram postos de abastecimento. Nesse dia, Mafalda Trigo afirmou ao ECO/Capital Verde que os combustíveis já estavam “com uma previsão de baixa”, ainda que sem avançar valores.
A responsável disse, contudo, que “numa próxima semana nunca vai haver uma quebra assim tão significativa”, esperando ainda assim que possa ser “anulado o aumento da semana passada”.
Dados recolhidos diariamente pela Direção Geral de Energia e Geologia mostram que o gasóleo simples custava, em média, 2,145 euros por litro esta quinta-feira, enquanto a gasolina simples 95 rondava 1,943 euros. Mas, nos postos de algumas marcas, o ECO testemunhou gasóleo aditivado à venda por um valor superior a 2,3 euros o litro (a média ronda os 2,177 euros).
No caso do gasóleo, trata-se de uma subida de 6,7 cêntimos por litro face ao preço médio praticado nas bombas uma semana antes, a 2 de abril. Já a gasolina simples 95 está 2,6 cêntimos mais cara.
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