Artemis II conclui missão com sucesso meio século após a Apollo
"Isto é apenas o começo. Vamos continuar a fazer isto com frequência, até aterrarmos na Lua em 2028 para lá construir uma base", diz Jared Isaacman, administrador da NASA.
Os quatro astronautas americanos e canadiano da missão Artemis II amararam na noite de sexta-feira, como previsto, ao largo da Califórnia, coroando com sucesso uma missão da NASA em torno da Lua, meio século depois da Apollo.
“Houston, aqui Integrity. Estamos a ouvir-vos perfeitamente”, anunciou o comandante Reid Wiseman após ter passado pela fase mais perigosa da reentrada na atmosfera a mais de 30 vezes a velocidade do som. “Que viagem”, exclamou o astronauta norte-americano. “Todos os membros da tripulação estão bem”, apressou-se a acrescentar.
Partidos a 1 de abril da Flórida, Reid Wiseman e os seus compatriotas Christina Koch e Victor Glover, bem como o canadiano Jeremy Hansen, aventuraram-se mais longe no espaço do que qualquer outro ser humano antes deles. Trazem consigo centenas de gigabytes de dados da primeira viagem lunar desde a última missão Apollo, em 1972.
Transmitido ao vivo em várias plataformas, passaram por detrás da Lua na passada segunda-feira, imortalizando em alta definição a Terra a pôr-se por detrás de uma Lua majestosa, oscilando entre tons de cinzento e castanho.
A cápsula Orion aterrou nas águas do Pacífico, ao largo de San Diego, travada por enormes paraquedas, às 17h07 locais (01h07 de hoje em Lisboa), tal como previsto ao minuto pela agência espacial norte-americana. A Marinha norte-americana está a caminho para resgatar os astronautas e trazê-los de volta à terra, de acordo com um protocolo que não mudou desde Neil Armstrong.
O regresso dos astronautas sãos e salvos representa um sucesso para a NASA, após dezenas de milhares de milhões de dólares, anos de atrasos e muitas dúvidas sobre o interesse de relançar a conquista lunar.
“Isto é apenas o começo. Vamos continuar a fazer isto com frequência, até aterrarmos na Lua em 2028 para lá construir uma base”, exclamou Jared Isaacman, administrador da NASA nomeado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, reiterando o objetivo de seguir depois para Marte, mesmo que tal ainda não tenha qualquer financiamento até ao momento.
Também Trump apontou o objetivo Marte numa saudação que enviou à tripulação da Artemis II, em que elogiou a missão “espetacular”. “Parabéns à formidável e muito talentosa equipa da Artemis II. Toda a viagem foi espetacular, a aterragem na água foi perfeita e, como Presidente dos Estados Unidos, não poderia estar mais orgulhoso!”, escreveu na rede social Truth Social. “Vamos recomeçar e, depois, passar para a próxima etapa: Marte!”, acrescentou.
Este voo foi, no entanto e sobretudo, um teste para confirmar à NASA que o seu foguetão, o Space Launch System (SLS), a Orion e os seus sistemas estão prontos para o regresso dos norte-americanos à superfície lunar, antes de eventuais futuras missões a Marte.
A NASA prevê uma nova missão em 2027 que não chegará até à Lua, antes de enviar astronautas à superfície lunar em 2028, na 4ª missão da Artemis, no último ano do mandato de Donald Trump e, teoricamente, antes da China, que prevê enviar os seus astronautas à Lua em 2030.
Os especialistas duvidam, porém, que os módulos lunares, em desenvolvimento por empresas dos bilionários norte-americanos Elon Musk e Jeff Bezos, estejam prontos em 2028.
Um japonês e depois um alemão deveriam viajar a bordo de futuras missões Artemis, mas essas vagas já não parecem garantidas desde que a NASA alterou todo o programa Artemis, e a Agência Espacial Europeia reconheceu que terá de negociar para as manter.
O chefe da NASA, por sua vez, reiterou na sexta-feira à noite que os parceiros estrangeiros continuam a ser indispensáveis para o futuro do programa.
Entretanto, a agência espacial norte-americana pretende, através do Artemis, reavivar o interesse dos norte-americanos pelo domínio espacial. Já a tripulação da Artemis II esperava contribuir para “permitir, por um instante, que o mundo faça uma pausa”, nas palavras de Reid Wiseman esta semana.
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