Alemanha avança com pacote de 1,6 mil milhões de euros para aliviar preços dos combustíveis
Executivo de Friedrich Merz vai permitir que as empresas alemãs paguem um bónus de apoio de 1.000 euros por trabalhador, isento de impostos e de contribuições para a Segurança Social.
O Governo alemão anunciou esta segunda-feira um pacote de medidas para aliviar os preços dos combustíveis para consumidores e empresas, no valor de 1,6 mil milhões de euros, avança a Reuters.
Entre as medidas consta uma redução do imposto que incide sobre o gasóleo e a gasolina, em cerca de 0,17 euros por litro, durante um período de dois meses, de acordo com um comunicado conjunto dos conservadores da CDU e dos seus parceiros de coligação de centro-esquerda, o SPD (Partido Social-Democrata).
Adicionalmente, segundo a agência noticiosa, será também permitido às empresas alemãs que paguem um bónus de apoio no valor de 1.000 euros por trabalhador, isento de impostos e de contribuições para a Segurança Social.
Falando em conferência de imprensa após o anúncio das medidas, o chanceler Friedrich Merz sublinhou que o Governo alemão está a fazer tudo o que está ao seu alcance para resolver os problemas provocados pelo conflito no Médio Oriente, que por enquanto se encontra suspenso graças a um frágil acordo de cessar-fogo.
“Esta guerra é a verdadeira causa dos problemas que estamos a enfrentar também no nosso próprio país”, afirmou Friedrich Merz, dias após os institutos germânicos de análise económica – RWI Essen, Ifo Munique, IfW Kiel, IWH Halle e DIW Berlim – terem revisto em baixa a precisão do crescimento do PIB da Alemanha para este ano e para 2027.
As negociações entre os parceiros da coligação governamental, a CDU e o SPD, terminaram no fim de semana, pondo fim a uma disputa que tinha eclodido na sexta-feira, quando a ministra da Economia, Katherina Reiche, aliada do partido de Merz, criticou as medidas sugeridas pelo ministro das Finanças, o social-democrata Lars Klingbeil, que se focavam num imposto especial sobre os lucros extraordinários das empresas petrolíferas.
Ainda esta segunda-feira, o chanceler alemão afirmou que se opõe ao endurecimento previsto para 2027 das taxas sobre as emissões de CO2 para veículos híbridos proposto pela Comissão Europeia e que defenderá em Bruxelas uma abordagem mais “aberta à tecnologia”, incluindo o reconhecimento de automóveis movidos a combustíveis renováveis.
O Governo de Merz está também a preparar uma reforma mais abrangente do imposto sobre o rendimento para os grupos de rendimentos baixos e médios a partir de janeiro do próximo ano.
A guerra dos EUA e de Israel contra o Irão está a provocar a maior crise energética de sempre, devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o seu impacto económico é já superior às crises de 1973, 1979 e 2022 “juntas”.
O diretor executivo da AIE, Fatih Birol, advertiu mesmo que “se o Estreito de Ormuz se mantiver efetivamente fechado durante todo o mês de abril, perderemos duas vezes mais crude e produtos refinados do que em março”.
Perante estes avisos, vários países têm anunciado medidas que visam mitigar o impacto do choque energético global no dia-a-dia das populações. Esta segunda-feira foi a vez da Alemanha, mas antes já a Eslováquia e a Eslovénia avançaram, por exemplo, com limites às compras de combustível, enquanto em Espanha o Governo de Pedro Sánchez optou, entre outras iniciativas, pela redução do imposto sobre o rendimento (IRS) para painéis solares e medidas de eletrificação.
Em países fora da Europa, as medidas anunciadas vão desde a imposição de limites à velocidade e às deslocações e incentivos ao uso e compra de veículos elétricos, assim como à utilização de transportes públicos, ao fecho de edifícios públicos, e até de universidades e escolas, ao desligar de iluminação a determinadas horas e à implementação do teletrabalho e da semana de quatro dias.
(Notícia atualizada pela última vez às 10h13)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Alemanha avança com pacote de 1,6 mil milhões de euros para aliviar preços dos combustíveis
{{ noCommentsLabel }}