Exclusivo ‘Almofada’ das pensões encolhe em bolsa, mas supera pela primeira vez os 47 mil milhões de euros
Mesmo com perdas de 0,61% no primeiro trimestre, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social já supera os 47 mil milhões de euros, o equivalente a quase 27,5 meses de pensões.
- A "almofada das pensões" atingiu um recorde histórico de 47,18 mil milhões de euros no final de março, impulsionada por transferências estatais significativas.
- Entre janeiro e março, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social teve uma rendibilidade negativa de 0,61%, que compara com perdas de 1,37% no período homólogo.
- A gestão do FEFSS mantém uma abordagem prudente e diversificada, mas poderá ser reavaliada se o conflito no Irão perdurar no tempo.
A “almofada das pensões” atingiu mais um recorde no final de março, superando pela primeira vez a barreira dos 47 mil milhões de euros. O Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) fechou o primeiro trimestre com um portfólio de 47,18 mil milhões de euros, um salto assinalável face aos 39 mil milhões registados há um ano – mais 8 mil milhões de euros em apenas 12 meses.
O crescimento do fundo que garante a sustentabilidade futura das pensões é tanto mais relevante quanto o trimestre foi marcado por perdas na carteira de investimento. Entre janeiro e março, o FEFSS registou uma rendibilidade líquida de transferências negativas de 0,61%, uma performance que, ainda assim, representa uma melhoria significativa face ao primeiro trimestre de 2025, quando as perdas chegaram a 1,37%.
“O primeiro trimestre de 2026 decorreu num contexto de elevada incerteza geopolítica e financeira, em particular na parte final do período, com a escalada do conflito envolvendo o Irão a repercutir-se nos preços da energia, na perceção de risco dos investidores e na volatilidade de mercado”, revela José Vidrago, presidente do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social (IGFCSS) e gestor do FEFSS, ao ECO.
Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.
Neste enquadramento, “o impacto na carteira do FEFSS foi acompanhado de forma permanente, com especial atenção aos efeitos indiretos sobre taxas de juro, spreads de crédito, mercados acionistas e exposição cambial”, referiu ainda.
Contudo, a queda do valor de mercado dos ativos foi mais do que compensada pelo volume recorde de transferências do Estado para o FEFSS, que mais do que explicam a subida do montante total sob gestão. Nos primeiros três meses de 2026, a Segurança Social injetou no FEFSS um total de 5,58 mil milhões de euros, o maior valor de sempre.
Este fluxo de capital reflete a política de reforço progressivo do fundo de reserva das pensões, elevando a taxa de cobertura das responsabilidades para 229,5%, o equivalente a quase 27,5 meses de pagamento de pensões assegurados pela “almofada” financeira do sistema.
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Prudência e diversificação como resposta à volatilidade
Na carteira do FEFSS, as ações foram os ativos que registaram a menor queda, ao resvalarem 0,58% entre janeiro e março. A dívida pública dos países da OCDE e a carteira de obrigações do Tesouro portuguesas (OT) tiveram ambas uma performance de -0,74%, um valor ainda assim acima do índice de referência de obrigações do Tesouro, que recuou 0,76%.
Face ao benchmark balanceado de ações e dívida soberana que serve de referência, que perdeu 0,89%, o FEFSS superou o mercado em 28 pontos base. “A carteira do FEFSS, com uma rendibilidade no trimestre de -0,61%, gerou, assim, no primeiro trimestre de 2026 um excess return de 15 pontos base (na comparação com o índice de OT) e 28 pontos base (na comparação com o benchmark acordado com a tutela), evidenciando os efeitos da referida gestão tática dentro dos limites definidos”, precisa José Vidrago.
Perante a turbulência dos mercados nos primeiros três meses do ano – particularmente em março com o eclodir da guerra no Irão –, a gestão do FEFSS optou por não alterar abruptamente a estrutura da carteira.
A estratégia do FEFSS beneficia de uma carteira diversificada e de mecanismos de gestão de risco e de cobertura que reforçam a sua resiliência.
“A gestão do Fundo continua a assentar numa lógica de prudência, diversificação e horizonte de longo prazo”, refere o gestor ao ECO, sublinhando que “não foi adotada uma resposta reativa de curto prazo assente em alterações estruturais abruptas da carteira”, mas que “se privilegiou a monitorização contínua do risco, a gestão tática dentro dos limites definidos e a preservação da robustez da carteira perante diferentes cenários de evolução do conflito.”
José Vidrago frisou ainda que “a estratégia do FEFSS beneficia de uma carteira diversificada e de mecanismos de gestão de risco e de cobertura que reforçam a sua resiliência”, admitindo que, caso o conflito venha a traduzir-se “num choque mais persistente sobre inflação, crescimento ou condições financeiras globais, a situação será naturalmente reavaliada no quadro normal de acompanhamento da alocação e do risco do Fundo.”
Numa perspetiva de mais longo prazo, o FEFSS apresenta uma rendibilidade média anual nominal de 5,05% nos últimos três anos terminados a 31 de março, e uma rendibilidade média anual real de 2,61%, já descontada a inflação.
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