Energia. Von der Leyen fecha a porta a flexibilidade das regras orçamentais

Itália sugeriu na semana passada que debate sobre flexibilidade das regras orçamentais não deve ser tabu perante crise dos preços de energia. Von der Leyen diz que condições não estão reunidas.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, rejeitou esta segunda-feira a possibilidade de ativar a flexibilidade das regras orçamentais europeias, como forma dos governos responderem à escalada dos preços da energia devido à guerra no Irão.

As condições para ativar medidas alternativas como a cláusula de escape geral ou as cláusulas de escape nacionais não estão, neste momento, reunidas. Mas manteremos o nosso papel vital de coordenação, tendo em mente o interesse económico europeu“, disse von der Leyen em conferência de imprensa em Bruxelas.

A responsável do executivo comunitário falava após a reunião do Colégio de Comissários da União Europeia, que se reuniu esta segunda-feira para discutir a situação no Médio Oriente e o seu impacto na Europa, além das medidas que têm sido adotadas.

As condições para ativar medidas alternativas como a cláusula de escape geral ou as cláusulas de escape nacionais não estão, neste momento, reunidas. Mas manteremos o nosso papel vital de coordenação, tendo em mente o interesse económico europeu.

Presidente da Comissão Europeia

Ursula von der Leyen avançou que a Comissão Europeia vai apresentar na quarta-feira, dia 22 de abril, um conjunto de medidas para uma resposta coordenada a nível europeu de resposta à escalada dos preços, a fim de serem discutidas no retiro informal dos líderes europeus que terá lugar nos dias 23 e 24 de abril, no Chipre.

“O primeiro ponto mais importante agora, quando falamos de medidas de alívio, é o que já disse. Precisam de ser direcionadas, temporárias e oportunas. Isto é muito importante”, defendeu, considerando que devem ser “mínimas para evitar, sem dúvida alguma, a deterioração indevida dos défices públicos”.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, defendeu na semana passada uma eventual suspensão temporária do Pacto de Estabilidade e Crescimento na União Europeia no caso de um recrudescimento do conflito no Irão, à semelhança do sucedido durante a pandemia.

Se houver um novo recrudescimento do conflito no Irão, teremos de considerar seriamente a possibilidade de uma resposta europeia cuja abordagem e instrumentos não sejam muito diferentes daqueles utilizados para a pandemia. Nesse caso, não deveria ser tabu ponderar a eventual suspensão temporária do Pacto de Estabilidade e Crescimento“, afirmou Meloni, durante um debate parlamentar, em Roma.

A primeira-ministra italiana sustentou que a suspensão das regras do pacto “não se trataria de uma derrogação para um único Estado-membro, mas sim de uma medida generalizada”.

Em março de 2020, no contexto da pandemia, a União Europeia ativou a chamada “cláusula de escape” das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento – que exigem que a dívida pública dos Estados-membros não supere os 60% do Produto Interno Bruto (PIB) e impõem um défice abaixo da fasquia dos 3% -, para permitir aos Estados-membros reagir à crise provocada pela pandemia.

No entanto, Bruxelas não parece, para já, estar disponível para avançar com a mesma iniciativa.

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