Ex-chefe da Casa Civil de Cavaco Silva lidera grupo de trabalho para rever Lei das Finanças Locais
Ex-chefe da Casa Civil de Cavaco Silva lidera equipa que estudará revisão da Lei das Finanças Locais. Prazo para entrega do relatório final vai para lá do período de elaboração do OE para 2027.
José Nunes Liberato, ex-chefe da Casa Civil durante a presidência de Cavaco Silva, vai presidir ao grupo de trabalho responsável pela revisão do Regime Financeiro das Autarquias Locais e Entidades Intermunicipais.
Entre outros aspetos, a designada Lei das Finanças Locais determina os valores a entregar pelo Estado central às autarquias, comunidades intermunicipais e áreas metropolitanas, além de estabelecer limites de endividamento.
O relatório final com a análise feita pelo grupo de trabalho pode ser entregue até final deste ano, determina ainda o Despacho 4749/2026 publicado nesta segunda-feira. Este prazo para apresentação do projeto de alterações legislativas (acompanhado de um relatório justificativo das alterações propostas) ainda poderá ser prorrogado, admite o diploma.
Caso seja entregue apenas no final do ano, a entrada em vigor das novas regras poderá ocorrer apenas em 2028, um ano antes do final da legislatura, ao contrário do que aventara o primeiro-ministro, Luís Montenegro, no congresso da associação de municípios (ANMP), em dezembro, quando assumiu a inclusão das novas medidas no Orçamento do Estado para 2027 – o qual é desenhado meses antes do final do ano.
Para a ANMP, a percentagem dos impostos amealhados pelo Estado que deve chegar às autarquias tem de crescer dos atuais 14% para 25%, considerando, entre outras questões, o peso da transferência de competências nos cofres do poder local.
Na equipa de coordenação do grupo de trabalho para a revisão da designada Lei das Finanças Locais estão, para lá de Nunes Liberato, dois membros da Associação dos Trabalhadores da Administração Local (ATAM): Marcelo Caetano Delgado, presidente da direção, e Pedro Mota e Costa, doutorado em Administração Pública no ISCTE e coordenador científico de Finanças Locais no gabinete de estudos da associação.
Fazem ainda parte os diretores-gerais da Entidade Orçamental e da Direção-Geral das Autarquias Locais (DGAL), e o presidente da Direção Executiva do Fundo de Apoio Municipal. Os dois Governos Regionais, as associações de municípios, de freguesias e das Assembleias Municipais, bem como vários ministérios, terão assento enquanto observadores.
Com esta reforma, o Governo pretende reforçar a autonomia da gestão financeira autárquica, dotando as autarquias locais, as áreas metropolitanas e as comunidades intermunicipais das capacidades necessárias para assumir a gestão dos serviços públicos descentralizados
Nascido em 1951, Nunes Liberato é licenciado em Economia pela Universidade Técnica de Lisboa, foi membro do Governo Regional dos Açores entre 1979 e 1984, incorporou a equipa de negociação para a entrada de Portugal na CEE (mais tarde designada União Europeia), entrou nos dois primeiros governos de Cavaco Silva enquanto secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território e somou dois cargos de relevo no PSD.
Na segunda maioria de Cavaco Silva, entre 1992 e 1995, chegou a secretário-geral. Já com Rui Rio, presidiu ao Conselho de Jurisdição Nacional. Antes, de 2006 a 2016, o Presidente Cavaco Silva entregou-lhe a gestão da Casa Civil. No seu percurso recebeu diversas condecorações de países estrangeiros.
A notícia da constituição deste grupo de trabalho surgiu no final de março, pela voz do ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, que na altura não avançou mais detalhes.
Segundo o despacho publicado nesta segunda-feira em Diário da República, “com esta reforma, o Governo pretende reforçar a autonomia da gestão financeira autárquica, dotando as autarquias locais, as áreas metropolitanas e as comunidades intermunicipais das capacidades necessárias para assumir a gestão dos serviços públicos descentralizados”.
Adicionalmente, lê-se ainda, pretende “promover a transparência e eficiência na utilização dos recursos, bem como a implementação de medidas que permitam corrigir assimetrias entre autarquias locais, reforçar a equidade, apostar na simplificação de processos, conceitos e mecanismos de reporte”.
O grupo de trabalho responderá a Silvério Regalado, secretário de Estado da Administração Local e Ordenamento do Território.
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