BRANDS' ECO HR Week Lisbon 2026: Porque o Futuro dos Recursos Humanos Começa com Dúvida, Design e Desconforto

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  • 13 Abril 2026

O evento internacional de Recursos Humanos decorre a 28 e 29 de abril, em Lisboa, e reúne especialistas nacionais e internacionais. Inscrições antecipadas têm 33% de desconto.

Em momentos de aceleração tecnológica, o instinto das organizações é procurar clareza para definir modelos, melhores práticas e respostas estáveis. No entanto, a realidade mais profunda é mais inquietante: quanto mais rapidamente as nossas ferramentas evoluem, menos certezas temos sobre os próprios fundamentos do trabalho. A HR Week Lisbon 2026, que terá lugar nos dias 28 e 29 de abril, no Centro de Congressos de Lisboa, parte desta premissa. Em vez de oferecer conforto, cria deliberadamente tensão entre o que sabemos e o que assumimos, entre o julgamento humano e a inteligência das máquinas, entre os papéis que os Recursos Humanos desempenharam e aqueles que poderão ter de abandonar.

O que torna esta conferência diferente não são apenas os temas, mas a sua postura. Trata os Recursos Humanos não como uma função que se adapta à mudança, mas como uma disciplina responsável por moldar as condições em que as organizações pensam, decidem e atuam. Ao longo da sua conceção, destacam-se três elementos diferenciadores: um foco intencional na dúvida na era da inteligência artificial, uma redefinição dos RH como arquitetos da realidade organizacional e uma abordagem profundamente interdisciplinar à compreensão do trabalho. Em conjunto, estes elementos apontam para um futuro mais exigente, mas também mais consequente, para os Recursos Humanos.

A dúvida como disciplina na era dos sistemas inteligentes

À medida que a inteligência artificial se torna mais capaz, também se torna mais convincente. Os outputs surgem como completos, coerentes e cada vez mais autoritativos, muitas vezes ocultando a incerteza, os enviesamentos ou as limitações subjacentes. Neste contexto, a tradicional tendência organizacional para a decisão rápida pode tornar-se perigosa. A competência crítica já não é a velocidade da tomada de decisão, mas a capacidade de sustentar a dúvida sem cair na paralisia.

É aqui que a HR Week Lisbon assume uma posição distintiva. Sessões como “The AI Paradox: Smarter Systems, Uncertain Humans”, com David Timis, exploram a crescente assimetria entre a confiança das máquinas e a hesitação humana, reformulando a incerteza como uma condição inevitável — e até necessária — do trabalho contemporâneo. Da mesma forma, a abordagem de Oana Iordachescu à liderança sem respostas claras desafia a expectativa enraizada de que a autoridade assenta na certeza.

O que emerge é um modelo diferente de competência: não a eliminação da dúvida, mas a sua cultivação. Esta perspetiva é reforçada por Stefaan Van Hooydonk, que redefine a curiosidade como um ato disciplinado de questionamento, em vez de uma abertura passiva. Num contexto em que a IA consegue gerar respostas de forma instantânea, o valor desloca-se para aqueles que sabem interrogá-las com maior profundidade. Para os RH, isto sinaliza uma mudança profunda: de promover o alinhamento em torno de respostas para desenhar organizações que permanecem inteligentemente incertas.

De gerir pessoas a desenhar as condições de desempenho

Durante décadas, os Recursos Humanos foram posicionados como uma função de suporte, responsável por potenciar o desempenho através de processos, políticas e programas. Mas, à medida que o trabalho passa a ser cada vez mais moldado pela carga cognitiva, pelos contextos de decisão e pela interação humano–máquina, o próprio conceito de desempenho está a ser redefinido. Já não é o resultado de indivíduos bem geridos; é o produto de sistemas que moldam a forma como as pessoas pensam, decidem e colaboram.

Esta redefinição está no centro da HR Week Lisbon. Em “Re-imagine HR: From Performance to True Impact”, Terence Mauri desafia os RH a ir além da execução e a assumir um papel de co-criação do futuro das organizações. Amy Brann leva esta ideia mais longe ao questionar quem realmente “desenha o desempenho” em contextos onde a arquitetura cognitiva — atenção, padrões de decisão, carga mental — pesa mais do que as estruturas formais.

As implicações são simultaneamente estratégicas e práticas. Painéis que questionam que tipo de organizações de RH serão necessárias no futuro sugerem que a relevância desta área dependerá da sua capacidade de redefinir aquilo em que os humanos são verdadeiramente insubstituíveis. Em paralelo, sessões como “Delete the Roles. Deploy the Skills”, de Alessandro Rimassa, traduzem estas ideias em redesenhos organizacionais concretos, substituindo funções estáticas por sistemas dinâmicos baseados em competências. A linha condutora é clara: os RH estão a passar de gerir recursos dentro de um sistema para arquitetar o próprio sistema.

O pensamento interdisciplinar como requisito para compreender o trabalho

Se a natureza do trabalho está a ser transformada simultaneamente pela tecnologia, pela psicologia, pela cultura e pela economia, então nenhuma disciplina, por si só, é suficiente para a compreender. No entanto, grande parte do pensamento em Recursos Humanos continua a ser autorreferencial, baseado sobretudo nos seus próprios modelos e tradições. O risco não é apenas a incompletude, mas o diagnóstico errado — resolver problemas superficiais enquanto se ignoram mudanças estruturais mais profundas.

A HR Week Lisbon responde a este desafio ao reunir, de forma intencional, um conjunto de oradores que vai muito além dos RH. Jitske Kramer traz uma perspetiva antropológica sobre a cultura organizacional, explorando como narrativas e ilusões moldam o comportamento coletivo. Magnus Lindkvist introduz uma visão orientada para o futuro, que desafia a tendência de esperar por clareza antes de agir. Carlos Pinto ancora as discussões sobre desempenho e burnout na biologia, reinterpretando-os como desajustes sistémicos e não como falhas individuais.

Ao mesmo tempo, vozes como Manjuri Sinha trazem uma perspetiva crítica sobre poder, enviesamento e responsabilidade em sistemas potenciados por IA — questões que são tanto éticas e sociais quanto técnicas. O resultado não é diversidade por si só, mas um modelo mais completo da realidade organizacional. Para os líderes de RH, isto implica uma mudança: da especialização funcional para um pensamento integrador, capaz de sintetizar diferentes áreas e desenhar em conformidade.

E, ainda assim, o verdadeiro trabalho começa depois da conferência

Se há uma mensagem transversal à HR Week Lisbon, é que o insight, por si só, não é suficiente. O futuro dos Recursos Humanos não será determinado por quem compreende melhor as tendências, mas por quem está disposto a agir em condições de ambiguidade: questionar pressupostos, redesenhar sistemas e assumir responsabilidade por aquilo que vem a seguir.

A própria conferência reconhece isto de forma explícita. Não se apresenta como um ponto de chegada, mas como um ponto de partida — um convite à experimentação, ao questionamento de modelos herdados e à reavaliação do verdadeiro papel dos RH. Nesse sentido, a sua contribuição mais importante pode não ser as respostas que oferece, mas as perguntas que deixa. Porque, num mundo em que as máquinas são cada vez mais eficazes a dar respostas, a verdadeira vantagem poderá estar em quem é capaz de fazer perguntas melhores e mais desconfortáveis.

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