Mytheresa quer reforçar investimento no Médio Oriente apesar da guerra

ECO IA,

O Médio Oriente representa já perto de 10% das receitas do retalhista de luxo online.

MyTheresa, retalhista de luxo online

A Mytheresa quer avançar com novos investimentos no Médio Oriente, apesar do impacto do conflito sobre o consumo e o turismo na região, segundo o Financial Times. O novo presidente executivo da retalhista de luxo online, Francis Belin, defende uma abordagem de longo prazo e admite reforçar a aposta em marketing, serviços de personal shopping e eventos nos países do Golfo.

O Médio Oriente representa já perto de 10% das receitas da empresa sediada em Munique. Belin, que assumiu funções em janeiro, disse ao Financial Times (acesso pago, em inglês) que os ataques com mísseis do Irão a países do Golfo, incluindo Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, não alteraram a convicção sobre o potencial da região. A empresa registou alguns dias de perturbações nas entregas no arranque da guerra entre os EUA, Israel e o Irão, mas garante que retomou entretanto as encomendas sem problemas.

A Mytheresa fechou o trimestre até dezembro com vendas líquidas de 242,7 milhões de euros, uma subida homóloga de 8,8%, e um EBITDA ajustado de 22,6 milhões, mais cerca de um terço do que no mesmo período do ano anterior. O grupo procura agora crescer também em joalharia e moda masculina, ao mesmo tempo que integra os ativos da Yoox Net-a-Porter na nova estrutura LuxExperience.

A estratégia assenta num modelo que tem permitido à Mytheresa resistir melhor do que outras plataformas digitais de luxo, num setor abalado pela falência da Saks Global e pelo colapso da Farfetch e da Matchesfashion no final de 2024.

A empresa trabalha com um modelo de compra grossista seletiva, margens brutas na ordem dos 50% e uma base de clientes de elevado rendimento, o que lhe permite preservar rentabilidade e manter relações com marcas de topo sem recorrer a descontos.

Além do Médio Oriente, Belin admite também reforçar o investimento na Ásia, em especial na China, apesar da fraqueza recente da procura por bens de luxo nesse mercado. Segundo o Financial Times, a China continental representa uma fatia de um dígito das vendas totais da Mytheresa, embora algumas geografias estejam a crescer a dois dígitos, num sinal de que a empresa quer aproveitar a escala do grupo LuxExperience para acelerar a expansão fora da Europa.

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