Portugal convence EthiFinance e ganha nota “positiva” para contas públicas
A agência europeia de rating EthiFinance confirmou a nota A- de Portugal e elevou a perspetiva para 'Positiva', num reconhecimento direto dos progressos feitos na redução da dívida pública.
- A EthiFinance confirmou o rating soberano de Portugal em "A-" e melhorou a tendência para “Positiva”, destacando a resiliência das contas públicas.
- A revisão da perspetiva é justificada pela consolidação fiscal e pela redução da dívida pública, que deverá cair para 89,2% do PIB em 2026.
- Apesar do sinal positivo, a EthiFinance alerta para riscos como a sensibilidade da economia às flutuações dos preços da energia e o envelhecimento da população.
Portugal voltou a somar um sinal favorável das agências de notação: a EthiFinance confirmou o rating soberano em “A-” e subiu a tendência para “Positiva”, numa decisão que reforça a perceção de maior resiliência das contas públicas nacionais num momento em que a economia europeia continua exposta a elevados choques externos.
Em comunicado, a agência de rating europeia justifica a revisão da perspetiva com a “consolidação fiscal” e com uma “redução sustentada da dívida pública”, dois fatores que, no seu entender, reforçam a capacidade do Estado para enfrentar períodos adversos e cumprir os seus compromissos financeiros no médio prazo.
O principal argumento para a nota positiva dos analistas da EthiFinance está assim na saúde das finanças públicas, que “representam o principal motor de melhoria no perfil de crédito do soberano”, após uma consolidação considerada “significativa nos últimos anos”.
A EthiFinance avisa que “a economia mantém um grau razoável de estabilidade, embora o seu potencial de crescimento continue estruturalmente limitado”, prevendo uma expansão de 2,1% em 2026 e de 1,8% em 2027.
A agência francesa destaca que a dívida pública baixou para 91,3% do PIB em 2025 e antecipa nova descida para 89,2% em 2026 e “cerca de 88% em 2027”, sublinhando que rácios mais baixos “reduzem a exposição aos choques de taxas de juro e melhoram o acesso ao financiamento em condições favoráveis”.
Ainda assim, o retrato da economia nacional está longe de ser isento de cautelas. A EthiFinance avisa que “a economia mantém um grau razoável de estabilidade, embora o seu potencial de crescimento continue estruturalmente limitado”, prevendo uma expansão de 2,1% em 2026 e de 1,8% em 2027, num contexto em que a guerra do Irão poderá penalizar a atividade e empurrar a inflação para 2,8% este ano antes de uma normalização em torno de 2% no próximo.
Ao mesmo tempo, a agência admite “alguma incerteza quanto à sua sustentabilidade num ambiente de menor crescimento”, sinalizando que parte da melhoria orçamental continua apoiada em fatores cíclicos e no crescimento nominal.
Entre os riscos apontados ao país, os analistas da EthiFinance referem ainda que “a economia continua sensível às flutuações nos preços mundiais da energia, o que introduz volatilidade”, apesar do peso crescente das renováveis no mix energético nacional.
No plano social e político, alerta que “o envelhecimento da população e o crescimento moderado da produtividade possam gerar pressões fiscais adicionais a médio prazo” e que “a crescente presença de forças políticas disruptivas pode complicar a implementação de reformas estruturais”, num lembrete de que a melhoria da perspetiva portuguesa depende agora da capacidade de transformar disciplina orçamental em crescimento mais robusto e duradouro.
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