Receitas da LVMH caem 6% nos primeiros meses do ano

Lina Santos,

Para a LVMH, detentora de marcas como Louis Vuitton ou Dior, a evolução do negócio reflete já o conflito no Médio Oriente. Ásia, sem Japão, continua a ser um mercado muito importante.

O primeiro desfile Dior sob a direção de Jonathan Anderson

 

Os primeiros três meses de 2026 trazem resultados pouco animadores para o grupo LVMH, o maior conglomerado de marcas de luxo do mundo. As receitas atingiram 19,1 mil milhões de dólares, menos 6% face ao mesmo período de 2025, quando foram reportados 20,3 mil milhões de euros.

O impacto cambial negativo de 7% é, segundo a empresa, o responsável por estes números.

Para a LVMH, detentora de marcas como Louis Vuitton ou Dior, a evolução do negócio reflete um contexto descrito como “disruptivo”, influenciado pelo conflito no Médio Oriente. O grupo LVMH estima que o ataque ao Irão teve um impacto negativo de 1% no seu crescimento orgânico.

Por regiões:

  • A Ásia, excluindo o Japão, registou um crescimento orgânico de 7% e representa 32% das receitas do grupo. São o principal motor de crescimento do grupo.
  • Os Estados Unidos cresceram 3%.
  • Europa e Japão registaram quedas de 3%.
  • Outros mercados representam 14% da receita.

Veja aqui a distribuição da receita pelo mundo:

Receita do grupo LVMH pelo mundo no 1.º trimestre de 2026

Por divisões:

  • Moda e Marroquinaria, que são, historicamente, o principal motor do grupo, registou receitas de 9,25 mil milhões de euros, uma queda de 9%. Ainda assim, o grupo prefere realçar que marcas como Louis Vuitton, Dior e Loro Piana mantêm uma forte dinâmica criativa e comercial, com novos produtos e experiências em loja.
  • O retalho, que inclui a Sephora e DFS, gerou 4,05 mil milhões de euros, com um crescimento orgânico de 4%, apesar de uma descida de 3% em termos reportados. A primeira continuou a ganhar quota de mercado e a expandir a rede, a DFS avançou com uma reestruturação (venda de ativos na China e concessões aeroportuárias em Los Angeles e San Francisco, nos EUA).
  • O segmento de Relógios e Joalharia destacou-se como o mais dinâmico do trimestre, com receitas de 2,44 mil milhões de euros e um crescimento orgânico de 7%. Tiffany e Bulgari, com forte procura nas linhas mis emblemáticas, são as principais responsáveis por estes resultados e reforçam o papel das joias no crescimento do portefólio da LVMH.
  • Já a área de Perfumes e Cosméticos registou receitas de 2,04 mil milhões de euros, com uma queda de 6% reportada. Lançamentos de perfumes Dior e Guerlain tiveram um bom desempenho.
  • A divisão de Vinhos e Espirituosos atingiu 1,27 mil milhões de euros, com crescimento orgânico de 5%, beneficiando de efeitos de calendário ligados ao Ano Novo Chinês e da procura na Ásia.

Em 2025, o grupo LVMH apresentou um “crescimento orgânico das receitas de 1% no segundo semestre do ano, com melhoria das tendências em todos as divisões de negócio”, mas no total do ano os resultados ficaram aquém de 2024, passando de quase 84,6 mil milhões de euros para cerca 80,8 mil milhões.

 

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.