Sem acordo e com Trump a prometer bloqueio de Ormuz, petróleo volta a passar os 100 dólares
O barril de Brent, referência para a Europa, dispara 6,53% para 101,42 dólares, após na sexta-feira ter recuado 0,75%. A do barril de West Texas Intermediate (WTI) avança 7% para 103,29 dólares.
A quebra nas negociações entre Estados Unidos e Irão, sem acordo para terminar o conflito que começou a 28 de fevereiro, aliada à ameaça de Donald Trump de bloquear o crucial Estreito de Ormuz voltaram a colocar novamente os preços do petróleo para acima do patamar de 100 dólares por barril esta segunda-feira.
O barril de Brent, referência para a Europa, dispara 6,53% para 101,42 dólares, após na sexta-feira ter recuado 0,75%. A cotação do barril de West Texas Intermediate (WTI) avança 7% para 103,29 dólares.
As forças armadas dos EUA anunciaram que irão iniciar esta segunda-feira, um bloqueio de todo o tráfego marítimo que entre e saia dos portos e zonas costeiras iranianas, depois de as negociações do fim de semana não terem chegado a um acordo para pôr fim à guerra, pondo em risco um frágil cessar-fogo de duas semanas.
As negociações em Islamabad, que decorreram de sábado até ao início de domingo, constituíram o primeiro encontro direto entre os EUA e o Irão em mais de uma década e as discussões de mais alto nível desde a Revolução Islâmica iraniana de 1979. As negociações ocorreram dias após o início de um cessar-fogo na terça-feira, com o objetivo de pôr fim a seis semanas de combates que mataram milhares de pessoas em todo o Golfo, restringiram o abastecimento vital de energia e suscitaram receios de um conflito regional mais alargado.
O Comando Central dos EUA afirmou que o bloqueio norte-americano, com início às 15h00 de Lisboa, seria aplicado “de forma imparcial contra embarcações de todas as nações que entrassem ou saíssem de portos e zonas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Árabe e no Golfo de Omã”.
“As notícias do Médio Oriente continuam a influenciar os mercados e o início da nova semana marca o regresso a um clima de aversão ao risco“, afirmaram os analistas do Lloyds Bank, adiantando que o facto de as negociações diplomáticas iniciais do fim de semana terem terminado sem acordo provavelmente não foi uma surpresa.
“Mas a decisão do presidente Trump de bloquear os navios que fazem escala nos portos iranianos a partir do Estreito de Ormuz possivelmente foi”, sublinharam. “A eficácia, a durabilidade, o objetivo e as consequências do bloqueio dos EUA são todos elementos de incerteza“.
“No entanto, a noção instintivamente racional de que este desenvolvimento constitui um obstáculo ao abastecimento energético ganhou força nos movimentos do mercado durante a noite”, explicaram.
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