Conflito no Médio Oriente trava produção de petróleo e AIE já prevê queda global na oferta
Agência Internacional de Energia avisa que queda da procura "irá alastrar à medida que a escassez e os preços mais elevados persistirem”. Perdas atingiram 10,1 milhões de barris por dia em março.
A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu drasticamente as suas previsões anuais para o crescimento da oferta e da procura mundial de petróleo e passou a projetar que ambas diminuam em comparação com os níveis de 2025. Mudança deve-se às perturbações nos fluxos de abastecimento devido ao conflito no Médio Oriente.
De acordo com a Reuters, a AIE prevê agora que a procura global de petróleo caia 80.000 barris por dia este ano, o que compara com o aumento anual de 640.000 barris por dia que projetava no relatório mensal anterior.
Quanto à oferta, as perspetivas atualizadas este mês são de uma queda de 1,5 milhões de barris por dia em 2026, contrastando com o aumento de 1,1 milhões de barris por dia previsto em março.
O mês de abril “deverá ser ainda pior do que março” para o setor da energia, mesmo que a guerra no Irão encontre rapidamente uma conclusão.
“A destruição da procura irá alastrar-se à medida que a escassez e os preços mais elevados persistirem“, afirma a Agência Internacional de Energia, acrescentando que, até ao momento, as reduções mais acentuadas no consumo de petróleo ocorreram nas regiões do Médio Oriente e da Ásia-Pacífico.
Os ataques a infraestruturas energéticas de vários países do Golfo, aliados ao bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% da produção mundial de crude –, levaram à maior perturbação de sempre do abastecimento de petróleo. Só em março, as perdas atingiram os 10,1 milhões de barris por dia.
As novas previsões da AIE foram divulgadas após o seu diretor executivo ter alertado que o mês de abril “deverá ser ainda pior do que março” para o setor da energia, mesmo que a guerra no Irão encontre rapidamente uma conclusão. Enquanto alguns navios conseguiram em março entregar a sua carga que tinha sido “carregada antes do início da crise (…), nada pôde ser carregado” este mês no Golfo, declarou Fatih Birol numa conferência de imprensa na manhã desta terça-feira.
O responsável da AIE falava na sequência de um encontro com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, para coordenar a sua resposta face ao impacto do conflito no Médio Oriente sobre a economia mundial. “Trata-se da mais importante crise energética da história. E ela diz respeito ao petróleo e ao gás natural, mas também a outros produtos básicos essenciais, como os fertilizantes, os produtos petroquímicos ou ainda o hélio”, referiu ainda o diretor executivo da AIE.
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