Crise energética? “Se isto se prolongar vários meses, temos de estar preparados”, responde ministra

Os maiores motivos de preocupação, de acordo com a ministra, são os impactos do conflito no diesel e no combustível para aviação. 

A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, espera que as negociações entre os Estados Unidos e o Irão evoluam positivamente, evitando um cenário de crise energética. Porém, caso um acordo de paz não se concretize, adverte, “temos de estar preparados”. E, sublinha, é nesse sentido que surge o mais recente pacote legislativo da Comissão Europeia, que agora estará sob consulta.

Ainda em março, Maria da Graça Carvalho afirmou que os critérios para declarar crise energética, tal como são definidos pela Comissão Europeia, estavam “perto” de serem alcançados. No mesmo dia, esclareceu que o tipo de energia que estava a evoluir no sentido de crise energética era o gás natural, que se encontrava, na altura, 85% acima dos níveis verificados no início da guerra no Médio Oriente, a 27 de fevereiro de 2026.

Agora, em meados de abril, afirma que “Nós não estamos ainda nesses [critérios] e penso que neste momento até estamos longe desses critérios”, escreve a agência Lusa. Já em declarações às televisões, indica que “se conseguirmos [um entendimento entre EUA e Irão] num tempo razoável, vamos conseguir escapar a ter uma crise”. Em oposição, “se isto [o conflito] se prolongar vários meses, temos de estar preparados”.

Ainda de acordo com a governante, os maiores motivos de preocupação são os impactos no diesel e no combustível para aviação.

“A legislação a nível europeu que nos mandaram para consulta é muito importante, porque nos dá possibilidade de ajudar os setores sem ter de consultar a Direção Geral da Concorrência”, rematou a responsável pela tutela. Face a estas orientações, os setores rodoviário, da agricultura, pescas e indústria eletrointensiva podem ser “temporariamente e dentro de alguns limites” ajudados do ponto de vista da energia. A Comissão Europeia tem um conselho informal a 23 e 24 de abril com os chefes de Estado e de Governo e já mandou uma consulta pública aos Estados-membros.

Isto é “feito em conjunto para não abrir brechas no mercado interno” e trata-se apenas de uma luz verde, pois os Estados-membros é que terão de arranjar financiamento para ajudar, salvaguardou a ministra, que falou aos jornalistas à saída do XV Fórum dos Alunos de Engenharia do Ambiente, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP).

A Comissão Europeia prevê apresentar na próxima semana medidas para responder à crise provocada pela escalada dos preços da energia devido à guerra no Irão. E já há pistas sobre o que aí vem. Flexibilização do quadro das ajudas estatais, coordenação no armazenamento de gás e propostas temporárias e direcionadas para os mais vulneráveis deverão fazer parte do ‘pacote’.

Por cá, o Governo lançou recentemente uma medida para ajudar as empresas cuja atividade depende fortemente de energia. A Associação Portuguesa dos Industriais Grandes Consumidores de Energia (APIGCEE) frisa que, apesar de todas as medidas de apoio serem “bem-vindas”, uma linha de crédito não resolve as dificuldades em manter a viabilidade e rentabilidade da operação, num contexto de preços “insustentáveis”.

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