“Esta capitã não vai abandonar o navio”. Lagarde garante que vai completar mandato no BCE
"Quando há grandes nuvens no horizonte, a capitã não abandona o navio, e esta capitã não vai abandonar o navio, porque vejo nuvens", afirmou a francesa à Bloomberg TV.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE) afirmou esta terça-feira que vai manter-se no cargo até ao final do mandato, em outubro de 2027, numa altura em que a economia da Zona Euro enfrenta “nuvens do horizonte” e perturbações graves como a quebra do abastecimento da energia e a instituição tem de manter controlo da estabilidade de preços e garantir o atingir meta da inflação de 2%.
O Financial Times noticiou a 18 de fevereiro que Lagarde estava a ponderar abandonar a presidência do BCE antes do término do mandato, para permitir que o Presidente francês, Emmanuel Macron, possa participar na decisão da escolha do próximo líder do banco central antes das eleições presidenciais francesas, que têm lugar em abril do próximo ano e pode levar a extrema-direita ao poder. Dois dias depois, Lagarde não garantiu a 100%, mas disse ao Wall Street Journal que considerava antes que a sua previsão é cumprir o seu mandato.
Questionada esta terça-feira em entrevista à Bloomberg TV sobre se vai completar o mandato, Lagarde respondeu: “Quando há grandes nuvens no horizonte, a capitã não abandona o navio, e esta capitã não vai abandonar o navio, porque vejo nuvens”.
Instada a nomear as maiores nuvens, a francesa explicou que “estamos todos a enfrentar as mesmas situações, com assimetria”. Mas “quando se veem perturbações graves, a redução do abastecimento energético, quando se veem ameaças ao crescimento, riscos de subida da inflação, estas são questões sérias às quais temos de estar atentos e manter sob controlo, para que a nossa estabilidade de preços, que não nos desviemos da nossa meta de 2%”, disse.
Entre o cenário base e o adverso
Lagarde afirmou que os custos mais elevados da energia resultantes da guerra no Médio Oriente afastaram a Zona Euro das previsões de base do BCE, embora tal ainda não seja suficiente para justificar uma inclinação no sentido de um aumento das taxas de juro. “Estamos entre os cenários de base e o cenário adverso” para a guerra no Irão, afirmou, em Washington, onde se encontra a participar nas reuniões de primavera do FMI.
O consenso nos mercados financeiros é que o próximo passo do BCE em relação às taxas de juro será uma subida, mas com as negociações para a paz no Médio Oriente ainda em curso, a maioria dos investidores e economista não preveem um aumento do custo do euro já na reunião de 30 de abril.
Lagarde afirmou que ainda é demasiado cedo para tirar conclusões e alertou os colegas que fizeram previsões sobre possíveis aumentos. “Isso não implica que vamos seguir numa direção ou noutra e, certamente, não determina uma trajetória das taxas que eu possa confirmar hoje”, disse sobre a situação no Irão. “Qualquer um dos colegas que esteja confiante de que vai ser de uma forma ou de outra não sabe, sinceramente”.
O BCE publicou no mês passado as suas projeções de base, segundo as quais o impacto da guerra no Irão deverá ser de curta duração. No entanto, acrescentou um cenário adverso que pressupõe um aumento muito mais acentuado dos preços da energia, maior incerteza e repercussões internacionais, bem como um cenário grave em que a inflação sobe para 4,8 % no próximo ano.
(Notícia em atualização)
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