Exclusivo Ex-governante lança startup para ajudar empresas de defesa e espaço a antecipar cenários
O antigo secretário de Estado da Justiça Pedro Tavares lançou a GovHorizon para ajudar empresas de setores regulados, como o financeiro, a antecipar cenários. Espaço e Defesa são áreas na mira.

A GovHorizon, uma plataforma que utiliza a inteligência artificial (IA) para transformar informação política, legislativa e regulatória em inteligência estratégica para empresas e organizações públicas no setor financeiro, defesa ou espaço, acaba de levantar 292 mil euros de capital.
A startup, que entre os seus fundadores tem o antigo secretário de Estado da Justiça Pedro Tavares, estima ainda este semestre obter mais um milhão de euros em capital e prepara uma nova ronda de financiamento com mira na internacionalização para a Europa e Brasil. Em três anos, a expectativa é angariar cerca de 300 clientes e alcançar três a quatro milhões de euros de faturação.
Depois de um percurso no setor público – foi secretário de Estado da Justiça –, Pedro Tavares lançou no ano passado a startup GovHorizon. Objetivo? Ajudar empresas e organizações a “navegar sobre este horizonte incerto que nós vivemos hoje em dia”, diz o CEO e cofundador da startup, juntamente com Isabel Rosa (CTO), Guido Santos (COO), Luís Pinto e Sérgio Pereira, ao ECO/eRadar. Como? Através da IA.
A plataforma de governança processa mais de 150.000 fontes diárias “de múltiplas entidades mundiais e com esses dados curados, ou seja, todos eles tratados e trabalhados ao nível das suas fontes, cruzando com a informação da própria organização”, permite, através da inteligência artificial, obter informação mais rica “para decisões mais fundamentadas e antecipatórias”, explica.
“Vamos buscar dados que estão disponíveis em fontes válidas: estatísticas, dados macroeconómicos, sociais, alterações migratórias, etc., associadas ao contexto geopolítico mundial”, descreve Pedro Tavares. Notícias, informação sobre inovação — “patentes registadas a nível mundial, na saúde, tudo o que são medicamentos, aprovados e registados” —, mapeamento de legislação — “tanto a já foi publicada como aquela que está ainda a ser proposta” —, juntam-se a informação fornecida pelos “sistemas internos, os chamados Enterprise Research Planning” de uma organização.
“Ao juntarmos e correlacionarmos isto, conseguimos, perceber quais são riscos que podem advir para uma organização” e reagir de uma forma mais eficaz. Ou seja, com a plataforma é possível gerar cenários económicos, sociais e políticos, desenvolver planos de ação multidimensionais, ou ainda encontrar oportunidades de financiamento internacional.
Defesa e Espaço entre as áreas foco
A GovHorizon está focada em cinco setores regulados e, por isso, mais impactados pela regulação: financeiro, telecomunicações, saúde, energia, administração pública, defesa e espaço, tanto no setor público, como privado. Oferecendo quatro suits [conjunto de serviços] — estratégia, inteligência de mercado, compliance e competitividade, com versões específicas para cada um dos setores foco —, que podem ser adquiridas através de uma licença anual.
“Focamo-nos, sobretudo, nos setores mais regulados ou impactados pela regulação. Estamos a falar da área financeira, telecomunicações, energia, utilities, áreas que, obviamente, por lidarem todos os dias com legislação, com alterações geopolíticas e sociais, necessitam de informação de qualidade para uma melhor decisão. E depois no setor público, todas as áreas também impactadas ou produtoras da própria regulação”, refere Pedro Tavares.
Estudos internacionais indicam que mais de 70% das grandes empresas consideram a gestão de risco regulatório uma prioridade estratégica, refletindo o impacto crescente que decisões políticas e legislativas têm na competitividade e operação das organizações.
Temos neste momento já clientes na defesa e, sobretudo no espaço, a primeira onde arrancámos, e onde temos sentido que há uma enorme apetência para uma ferramenta como esta porque o contexto, de facto, sublinha sua premência.
Outra área “crítica no contexto atual” é a da defesa e do espaço. Na defesa são submetidos diariamente mais de 100 pedidos de patentes em tecnologias de duplo uso, referem.
“A área da defesa e espaço é, de facto, um dos setores que tem tido aqui realmente um forte interesse”, admite. “Num contexto em que a esta área é absolutamente estratégica, por exemplo, para a Europa, está a haver uma apetência muito grande para a utilização de uma ferramenta como esta, que vai buscar muitas dimensões, consegue perceber o que determinado país está a fazer, que inovações estão a ser feitas, onde há financiamento, por exemplo, para determinadas opções estratégicas e políticas”, elenca o cofundador da GovHorizon.
“Temos neste momento já clientes na defesa e, sobretudo, no espaço, a primeira onde arrancámos, e onde temos sentido que há uma enorme apetência para uma ferramenta como esta porque o contexto, de facto, sublinha sua premência”, refere Pedro Tavares. O CEO da GovHorizon prefere para já não revelar esses clientes. “Estamos a fechar com um primeiro lote de clientes, empresas com dimensões relativamente grandes”, diz.
“A nossa expectativa é que no final deste primeiro semestre tenhamos um número considerável de clientes, tanto ao nível nacional, mas também internacional, sobretudo europeu. Clientes sobretudo na Bélgica, Países Baixos e França, mercados onde já estamos a trabalhar de forma ativa“, revela.
Nova ronda ainda no primeiro semestre
A empresa quer ampliar também os mercados onde atua. Para isso, está a preparar a entrada de mais capital na empresa, bem como uma ronda de financiamento. Até agora, já levantou 292 mil euros de capital. Fechou uma ronda de 100 mil euros de financiamento com a participação da TALEBOX e obteve 192 mil através na Linha IA nas PME, o instrumento financeiro para a inovação e competitividade do Banco de Fomento, integrado no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
A GovHorizon tem ainda duas candidaturas a linhas de financiamento, no programa de internacionalização das PME do Compete 2030 e através do Horizon, que, a obterem luz verde, deverá significar a entrada de um milhão de euros de capital. Mas não só. “Estamos a levantar já uma ronda de financiamento também mais significativa, sobretudo focada nesta dimensão da internacionalização”, revela. Quanto, não diz. Mas quer concluí-la “ainda neste semestre”.
Atualmente, a empresa já trabalha ativamente em mercados como a Bélgica, Países Baixos e França, mas também quer ir para países como o Brasil. “Para nós, também é bastante significativo, tendo em conta os setores a que estamos a querer responder”, indica.
Democratizar antecipação estratégica das PME
Para a venda dos serviços e internacionalização, a empresa procura parceiros, contando nesse processo “com o apoio da AICEP”.
A empresa quer ainda “democratizar” o acesso a ferramentas de antecipação estratégica como a GovHorizon e, para isso, quer “até o final do ano, lançar uma versão mais pequena, de subscrição direta online que qualquer empresa, incluindo PME” pode subscrever, para “democratizar” esta ferramenta de antecipação estratégica”, diz.
Os setores europeus de GovTech e RegTech têm registado um crescimento de mais de 15% ao ano, com um mercado estimado em 186 mil milhões de euros para os setores financeiro, telecomunicações, energia e público, segundo dados do Fórum Económico Mundial e da Comissão Europeia, elencados pela empresa.
Com cerca de oito colaboradores, contando com os fundadores, a GovHorizon, até aqui a operar a partir de Leiria, abre esta semana um segundo escritório no IAHub da Unicorn Factory Lisboa, em Alvalade.
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