FMI corta previsão de crescimento da economia portuguesa para 1,9% este ano

Instituição está mais pessimista sobre o desempenho da economia portuguesa e da Zona Euro este ano, na sequência da guerra no Irão. Projeção da inflação nacional é revista em alta para 3,1%.

A guerra no Irão está a levar as principais instituições económicas a rever em baixa as perspetivas de crescimento e o Fundo Monetário Internacional (FMI) não é exceção. À semelhança da posição sobre a expansão da atividade global, a instituição liderada por Kristalina Georgieva está agora mais pessimista sobre o desempenho da economia portuguesa este ano.

Na atualização das previsões económicas mundiais, divulgadas esta terça-feira, o FMI prevê um crescimento da economia portuguesa de 1,9% em 2026, menos 0,2 pontos percentuais (pp.) do que em outubro e 0,4 pontos abaixo da previsão oficial do Governo datada igualmente do mesmo mês. Contudo, a entidade de Bretton Woods melhora a perspetiva para o próximo ano para 1,8%, quando anteriormente apontava para uma taxa de 1,5%.

Com esta atualização, a taxa de crescimento esperada pelo FMI fica perto dos 1,8% estimados para este ano pelo Banco de Portugal e pelo Conselho das Finanças Públicas — instituição que atualizará na quarta-feira as suas perspetivas. Apesar da revisão em baixa, a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) é, contudo, superior ao da Zona Euro.

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Para os países da moeda única, os técnicos do FMI projetam um abrandamento do crescimento de 1,4% em 2025 para 1,1% em 2026 e para 1,2% em 2027, o que significa um corte de 0,2 pp. em cada ano face a janeiro. Esta evolução é assim influenciada pelo impacto negativo do conflito no Golfo, a que se soma aos efeitos persistentes da subida dos preços da energia desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Entre as principais economias europeias, destaca-se por um lado a revisão em baixa de 0,3 pontos do crescimento esperada na economia alemã para 0,8% este ano e 1,2% em 2027, e por outro a resiliência da economia espanhola, com uma taxa de 2,1% este ano e de 1,8% no próximo, apesar do corte de 0,2 pp. e de 0,1 pp., respetivamente, face a janeiro.

Inflação esperada para Portugal acima da Zona Euro

A escalada dos preços da energia e consequentes efeitos na economia levou o FMI a rever em alta a inflação esperada a nível mundial e, no cenário mais severo, admite mesmo que supere os 6% até 2027. Para Portugal, os técnicos apenas divulgaram o cenário base, no qual a aceleração dos preços fica aquém daquele valor, mas acima da média da Zona Euro.

O FMI prevê que a taxa de inflação em Portugal, medida pelo Índice Harmonizado de Preços do Consumidor (IHPC), acelere de 2,2% em 2025 para 3,1% este ano, antes de abrandar para 2,3% em 2027. Valores que comparam com os 2,6% esperados para este ano na média do euro e de 2,2% no próximo ano, acima da meta do Banco Central Europeu (BCE).

Antes da guerra, ainda em outubro do ano passado, a instituição com sede em Washington apontava para uma taxa de inflação em Portugal de 2,1% este ano e de 2,2% em 2027.

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