Leixões. “Porto do Norte” arrisca ser Vigo por causa da “vista de uns apartamentos” e interesses imobiliários

Agepor alerta que plano estratégico de Leixões "é uma peça essencial" para garantir que o porto possa continuar a ser o centro das ligações internacionais do noroeste da Península Ibérica.

A AGEPOR – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal alertou que as críticas ao plano estratégico do Porto de Leixões para os próximos 10 anos, apesar de “legítimas”, ignoram que a infraestrutura é “um ativo estratégico para as empresas, para a criação de emprego e riqueza na Região Norte, para a economia nacional”. A associação avisa que este plano é “essencial” para que o porto possa continuar a ser o centro das ligações internacionais do noroeste da Península Ibérica.

A vista de uns quantos apartamentos para quem os pode comprar, os interesses imobiliários e outros, não se podem sobrepor ao interesse de toda uma região e de todo um país“, atira a AGEPOR em comunicado. Os representantes dos agentes de navegação lembram que “o tamanho dos navios continua a aumentar e se nada for feito o porto do Norte vai ser Vigo“.

O porto de Leixões é um ATIVO ESTRATÉGICO para as empresas, para a criação de emprego e riqueza na Região Norte, para a economia nacional (…) A vista de uns quantos apartamentos para quem os pode comprar, os interesses imobiliários e outros, não se podem sobrepor ao interesse de toda uma região e de todo um país.

AGEPOR

Segundo a associação, “já há serviços que foram perdidos para Vigo e mais se vão perder se o tempo continuar a passar e nada for feito”, destacando que “o porto de Leixões é – ou tem sido até agora – O GRANDE PORTO do Norte da Península Ibérica, servindo os interesses locais, os interesses regionais, os interesses nacionais, e polo de convergência para o comércio internacional da Galiza. Com grande benefício económico para todos estes“, aponta.

Perante as críticas feitas nos municípios de Matosinhos e Leça da Palmeira, a Agepor destaca que estes dois municípios “também são o porto de Leixões, como o porto de Leixões é Matosinhos e Leça da Palmeira”, falando numa relação “umbilical”, na qual Leixões se apresenta como “um dos motores da prosperidade local”.

O tráfego marítimo é vital para a qualidade de vida das pessoas. Não damos por ele porque está lá. Veja-se o exemplo de Ormuz… É como a saúde, só nos lembramos dela quando nos falta”, realça.

Apesar de ser amplamente esperado, o novo plano estratégico para o Porto de Leixões até 2035, que inclui a construção do novo terminal de contentores, tem recebido várias críticas, que vão desde as autarquias locais, até à concessionária do porto.

A presidente da Câmara de Matosinhos, Luísa Salgueiro, tem sido uma das vozes mais críticas, admitindo ir a tribunal tentar parar o projeto do novo terminal de contentores norte do Porto de Leixões, caso não sejam estudadas todas as alternativas possíveis e minimizados impactos.

Já a Yilport, a atual concessionária do terminal de contentores de Leixões, considera que o projeto para a construção do novo terminal Norte do Porto de Leixões é a “pior opção”, é “insustentável a médio e longo prazo” e corre o risco de se tornar “obsoleto antes mesmo de recuperar o investimento”. A empresa argumenta que as alternativas já estudadas, como o novo terminal Sul ou a melhoria do atual, apresentam “benefícios superiores”.

Face a estas críticas, os agentes de navegação de Portugal alertam para a relevância da infraestrutura e de manter a sua competitividade. Há quem queira, mas Portugal e o Norte não podem permitir que Leixões seja sufocado“, remata.

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