Lusitania. Dividendos, interesse francês e mal-estar no Montepio

Seguradora francesa CNP Assurances pode avançar com uma oferta para comprar a Lusitania. Virgílio Lima já admitiu vender negócio segurador, mas processo está a causar mal-estar dentro do Montepio.

A seguradora francesa CNP Assurances está a considerar avançar com uma oferta pela seguradora Lusitania, detida pela Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), segundo o site Merger Market. Um negócio que estará a causar mal-estar no seio da maior mutualista do país, de acordo com as informações recolhidas pelo ECO, por não ter sido promovido um concurso aberto a outros candidatos. “O Montepio Associação Mutualista não tem comentários a prestar”, diz fonte oficial.

O presidente da mutualista já tinha admitido a venda do negócio segurador aquando da tomada de posse dos novos órgãos associativos do Montepio, no início do ano. Mas Virgílio Lima só considerou esse cenário depois de recuperadas as perdas por imparidade associadas à Lusitânia. “Temos um conjunto de imparidades que vêm do período da crise anterior, que afetou todas as entidades e que estão em recuperação, mas é uma matéria que, uma vez recuperada, poderemos fazer parcerias de desenvolvimento, mantendo, naturalmente, uma posição relevante e importante nas companhias“, afirmou.

O Montepio contratou o banco francês Société Génerale para sondar o interesse do mercado e explorar opções para a alienação parcial ou total da companhia, segundo avançou a agência Bloomberg há cerca de um mês. E o site Merger Market adiantou que a Lusitania deverá atrair o interesse de seguradoras nacionais e internacionais interessadas em expandir o negócio em Portugal. Além da CNP Assurances, que não quis fazer comentários, outras companhias seguradores francesas poderão estar na corrida, segundo uma fonte citada pela Merger Market. No entanto, de acordo com outra fonte contactada pelo ECO, o presidente da Associação terá limitado o potencial negócio à referida CNP Assurances, o que causou estranheza e pedidos de esclarecimento dentro da própria associação.

O negócio segurador do Montepio está dividido em duas companhias. A Lusitania Seguros, focada no ramo não vida, está avaliada em 168 milhões de euros nas contas da mutualista (mais prestações acessórias de 70,7 milhões de euros), mas a mutualista contabiliza uma perda por imparidade de 112 milhões de euros. No ano passado registou lucros de 9 milhões de euros, mais 19% em relação a 2024, e vai dar um dividendo de três milhões (o dobro do ano anterior). Tem uma quota de 2,8%, mantendo a sexta posição no ranking de produção.

Já a Lusitania Vida (ramo vida) está avaliada em 101 milhões de euros, tendo registado um lucro de meio milhão em 2025, penalizado por efeito não recorrente associado à modelização e parametrização dos contratos de seguro, que geraram um impacto negativo de 6,1 milhões, segundo explica a associação nas suas contas individuais. Com uma quota de mercado de 2,3%, subiu para a 9.ª posição do ranking no ano passado.

Recentemente, em entrevista ao ECO, o CEO da Lusitania, Paulo Martins Silva, revelou que “há grandes grupos internacionais” atentos ao negócio segurador do Montepio. “Hoje, o grupo está a beneficiar da valorização das seguradoras, com as imparidades praticamente resolvidas e uma situação financeira muito mais estável. É natural que haja interesse — sabemos que existem grandes grupos internacionais atentos —, mas o foco da nossa gestão é continuar a criar valor, a reforçar a rentabilidade e a confiança no mercado”, afirmou o responsável.

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