Mau tempo. Leiria já registou 10 mil pedidos de apoio para reconstrução de casas

Das 10.143 candidaturas, 1.777 foram analisadas pela autarquia, 906 estão em fase de pagamento e 242 já receberam apoio para construção das casas.

A passagem da depressão Kristin pelo distrito de Leiria a 28 de janeiro deixou um rasto de destruição. CARLOS BARROSO/LUSACARLOS BARROSO/LUSA

O concelho de Leiria já superou as 10 mil candidaturas de pedidos de apoio para reconstrução das casas devido ao chamado comboio de tempestades, anunciou esta terça-feira o município liderado pelo socialista Gonçalo Lopes. Destas, contabiliza a autarquia, há “242 candidaturas com verbas atribuídas”.

Desde a abertura das candidaturas já foram submetidos 10.143 pedidos à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDR), “refletindo a dimensão das necessidades no concelho”, assinala o município.

Das 10.143 candidaturas, 1.777 foram analisadas pela autarquia, 906 estão em fase de pagamento e 242 já receberam apoio para reconstrução das casas. Ainda assim, foram recusados 629 pedidos.

Só de 30 de março a 5 de abril foram submetidos 848 pedidos para reconstrução de casas, dos quais 317 analisadas pelo município e 41 pela CCDR Centro. Nessa última semana, antes do termo do prazo de entrega das candidaturas a 7 de abril, foram recusados três pedidos.

“No seguimento dos impactos provocados pela tempestade Kristin, o município de Leiria continua a desenvolver um trabalho contínuo de apoio às famílias na recuperação das habitações afetadas”, nota a autarquia num comunicado.

Leiria, Pousos, Barreira e Cortes (211), Marrazes e Barosa (159), Amor (55), Maceira (55) e Colmeias e Memória (51) são as freguesias leirienses mais devastadas pelo chamado comboio de tempestades.

A autarquia de Leiria garante estar a assegurar “um acompanhamento próximo das populações, prestando apoio na submissão das candidaturas e promovendo a articulação com as entidades competentes”.

Face ao elevado volume de processos ainda em análise e execução, reitera, “mantém-se a necessidade de garantir capacidade de resposta e maior celeridade na atribuição dos apoios às famílias“. Este foi, aliás, o grande apelo das populações e autarcas dirigido a António José Seguro durante a sua primeira Presidência Aberta, que aconteceu ao longo da última semana na região Centro.

Seguro pôde contactar com vários desalojados pela depressão Kristin, como foi o caso de Ana Comenda, uma das moradoras das seis casas modulares em Pousos, cedida pelo município de Leiria, após ter ficado sem teto. “Fiquei com a casa toda destruída”, relatou Ana, na ocasião, apelando à necessidade de ser revista a “questão da habitação em Portugal”.

O Presidente da República assegurou-lhe, por sua vez, estar “muito atento” ao problema da habitação, já que os salários dos portugueses não chegam para pagar “as rendas que estão pela hora da morte”, ou para comprar uma casa.

Igualmente Maria de Lurdes Ferreira, 66 anos, foi há dois meses realojada numa dessas casas modulares, depois de a tempestade ter arrancado o telhado do imóvel onde vivia. Perdeu as poupanças de uma vida. “Estamos aqui e só pensamos na nossa casa. Ficou tudo destruído. Foi lá que nasci, cresci e fiz a minha vida”, lamentou-se ao ECO/Local Online.

Presidência Aberta 2026: Presidente da República, António José Seguro, em visita a Leiria e Marinha Grande, nas zonas afetadas pela tempestade Kristin.Rui Miguel Pedrosa/ECO

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