Petróleo abaixo dos 100 dólares com esperança na negociação entre EUA e Irão

Estados Unidos e Irão deverão manter negociações para pôr fim ao conflito, o que está a ditar algum alívio nas cotações do petróleo.

O preço do petróleo recuou esta terça-feira abaixo da fasquia dos 100 dólares, numa altura em que as expectativas acerca das negociações entre Estados Unidos e Irão têm emprestado algum alívio às cotações do petróleo.

A cotação do barril de Brent, negociado em Londres e referência na Europa, segue a desvalorizar 1,21% para os 98,16 dólares. Do outro lado do Atlântico, o West Texas Intermediate, o barril negociado em Nova Iorque, desce 1,89% para os 91,19 dólares.

Desde o dia 8 de abril que as cotações de Brent têm fechado abaixo dos 100 dólares. Nesse dia, assistiu-se a uma quebra abrupta, com a abertura de uma linha de diálogo entre EUA e Irão. Porém, desde então, o preço do barril tem vindo a recuperar, e esta segunda-feira fechou mesmo nos 99,36 dólares, depois de ter chegado a ultrapassar a fasquia dos 100 dólares ao longo da sessão bolsista.

De acordo com a Reuters, as expectativas em relação às negociações parecem estar a pesar mais que as preocupações relativamente a eventuais disrupções na oferta do ‘ouro negro’. A agência de notícias britânica indica que as equipas de negociação dos Estados Unidos e do Irão podem voltar a encontrar-se esta semana, citando quatro fontes não identificadas. Isto, depois de as conversações de alto nível no Paquistão não terem dado frutos.

Um oficial dos Estados Unidos afirmou mesmo, já após o término do diálogo mais recente, que as duas partes — Washington e Teerão — continuam a tentar chegar a acordo.

Entretanto, os Estados Unidos continuam a fazer pressão sobre o país do Golfo, ameaçando com um bloqueio aos portos iranianos, onde Teerão permitia que alguns navios atracassem sob a sua supervisão e perante o pagamento de uma taxa, apesar do fecho do Estreito de Ormuz aos restantes.

Abril pior que março

Na noite de dia 13 de abril, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, alertou que o mês de abril “deverá ser ainda pior do que março” para o setor da energia, mesmo que a guerra no Irão encontre rapidamente uma conclusão. Isto porque, enquanto em março circularam ainda cargas que haviam sido carregadas antes da crise, durante esse mesmo mês “nada pôde ser carregado”.

Trata-se da mais importante crise energética da história. E ela diz respeito ao petróleo e ao gás natural, mas também a outros produtos básicos essenciais, como os fertilizantes, os produtos petroquímicos ou ainda o hélio”, frisou o diretor da AIE, no rescalso de um encontro com os líderes do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, na qual procuraram unir-se para dar discutir uma resposta coordenada à atual crise.

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