Plataforma portuguesa para investir no futebol vai internacionalizar e dinamizar turismo dentro dos clubes
Plano, que deverá ser apresentado até ao final de maio, prevê iniciativas como campos de férias, à semelhança do que fazem os 'três grandes' ou o Braga, diz ao ECO o CEO da Brands Capital Sports.
A empresa portuguesa Brands Capital Sports, que trabalha na negociação de compra e venda de clubes de futebol, está a desenvolver programas de turismo desportivo e fidelização de adeptos para que os clubes mais pequenos aumentem as suas receitas e se tornem mais atrativos para os investidores nacionais e estrangeiros.
O plano, que deverá ser apresentado até ao final de maio, prevê iniciativas como campos de férias, à semelhança do que fazem os ‘três grandes’ ou o Sporting Clube de Braga, revelou ao ECO o CEO da Brands Capital Sports, Sérgio Duarte, após ter desenvolvido uma plataforma digital que funciona como um menu de M&A para o futebol em que se pode consultar oportunidades de negócio no mercado português.
Para o novo projeto de dinamização das regiões onde os clubes se localizam, a Brands Capital Sports está em processo de registo de marcas próprias, cujos detalhes remete para “breve”. “São marcas de apoio aos clubes com vários programas para ganharem receitas e os motivar a mudarem a forma de gestão, mesmo antes de entrarem investidores. Num clube com 400 miúdos são mais 400 pais ou mães e, muitas vezes, também avós, tios… É um potencial enorme que, muitas vezes, os clubes não sabem explorar”, começa por explicar ao ECO o CEO da Brands Capital Sports.
“O potencial de cada adepto, só por si, trazer mais-valias ao clube é enorme. Não é só o valor da sua quota anual, porque depois vai comprar a camisola, vai participar nos eventos que o clube tem… É esse ponto que vamos explorar: um fato feito à medida para o clube”, refere o empresário nortenho Sérgio Duarte.
A sociedade recém-criada pelo fundador e antigo dono da Cerveja Quinas lançou, no final do ano passado, um website no qual quem entra se sente como uma espécie de Roman Abramovich em menor escala. Se estiver por detrás de um clube, pode utilizar o sistema para dar a conhecer que está aberto a investimento externo e se for investidor pode consultar as oportunidades disponíveis.
“O futebol não está profissionalizado na compra e venda de clubes. Verifiquei que faltava uma ligação entre investidores e clubes de forma profissional, que fizesse sentido e tivesse critérios de avaliação. Às vezes, os valores que são pedidos pelos clubes criam algum conflito. Depois, são contactados por um, dois ou três investidores e a cada momento em que são contactados os valores vão subindo”, afirma Sérgio Duarte, que lidera e detém uma participação 51% na Brands Capital Sports.
Por enquanto, esta plataforma online utiliza um algoritmo à base de inteligência artificial – alimentado por critérios como o número de adeptos ou o mediatismo – que atribui uma valorização automática aos clubes de futebol. “O valor tem um critério igualitário para todos os clubes. O algoritmo não se altera por ser o FC Porto, o SL Benfica ou o União da Madeira. Se a presidência do clube achar que o valor que a plataforma está a fornecer é o correto e considerar que tem base, solicita-nos um mandato”, adiantou.
Sérgio Duarte acredita que a avaliação dos clubes de futebol em Portugal carece de profissionalismo e de digitalização. “Muitas vezes, pede-se a alguém que conheça o mercado ou vai-se falar com o presidente do clube, ver quanto é que vale, depois atribui-se o valor sem qualquer critério. Há bons projetos que nunca andaram para a frente porque não tiveram uma avaliação criteriosa”, critica.
Brands Capital faz radiografia às dívidas
Há um senão durante as transações: a Brands Capital Sports fica com a exclusividade de intermediação da negociação e cobra cerca de 10% por fazer de Tinder entre investidor e clube. Questionado sobre a necessidade de ter um mandato exclusivo neste processo, Sérgio Duarte explicou que o objetivo “é não andar mais de uma pessoa a comercializar o clube”, mas admitiu que é “difícil” porque existem “anticorpos” contra o facto de ser uma startup.
E que garantias podem dar a esses investidores? “O adiantamento da negociação não começar do zero, a triagem feita, a garantia de que o clube não deve nada à Segurança Social ou à Autoridade Tributária, apresentou as contas nos últimos três anos, foi ou não investigado em várias vertentes financeiras, as atas – aprovadas em Assembleia Geral – que autorizam a entrada de um investidor”, retorquiu. Para tal, conta ainda com um parceiro na área da advocacia, a Machado, Sarmento – Sociedade de Advogados, cuja função é a assessoria jurídica.
Primeiro parceiro internacional fala uruguaio
Simultaneamente, a Brands Capital Sports está a trabalhar na internacionalização da plataforma para que os investidores internacionais tenham maior visibilidade sobre as oportunidades existentes no mercado português e vice-versa. Recentemente, Sérgio Duarte recebeu no Porto a visita de uma delegação do Uruguai para assinar uma parceria estratégica.
No âmbito deste acordo, a Brands Capital Sports faz a seleção dos clubes portugueses que mais bem encaixam com o perfil que procuram, independentemente de fazerem parte da primeira, segunda ou terceira divisão, do campeonato de Portugal ou da distrital. “No futuro”, o modelo vai ser alargado a outras geografias, nomeadamente à Suíça, à Bélgica e ao Luxemburgo.
O Uruguai tem investidores que pretendem investir em clubes portugueses e, ao mesmo tempo, também tem clubes uruguaios que querem investimento, até porque também estão, como em Portugal, a criar sociedades SAD. O Uruguai é um país pequeno onde também nascem jogadores de futebol com grande relevo.
Atualmente, existem 15 clubes neste “marketplace“, entre os quais o açoriano Vitória Clube do Pico da Pedra. O próximo projeto de Sérgio Duarte será criar mesmo um “OLX” de empresas através de uma outra sociedade (Brands Capital Investments) e em parceria com a Deloitte Legal Telles. Segue-se a Brands e Go, que estará focada na compra e venda de marcas.
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