UE levanta 9 mil milhões de euros para financiar defesa, Ucrânia e economia
Com uma procura muito superior à oferta, a emissão da Comissão Europeia foi realizada em duas tranches, por via de uma emissão a 3 e 20 anos, que contou com uma yield de 2,82% e 4,09%, respetivamente.
- A Comissão Europeia realizou uma emissão de 9 mil milhões de euros em obrigações, destacando-se a elevada procura que superou a oferta disponível.
- A operação dividiu-se em duas tranches, com a obrigação a três anos a registar uma taxa de sobresubscrição de 18 vezes e a de 20 anos de 14,7 vezes, refletindo a confiança dos investidores.
- Os fundos obtidos visam financiar prioridades da União Europeia, como o apoio à Ucrânia e investimentos em defesa, através do programa SAFE.
Num contexto marcado por uma grande volatilidade geopolítica e por incertezas em torno das políticas monetárias dos principais bancos centrais, a Comissão Europeia regressou esta terça-feira aos mercados para se financiar em nove mil milhões de euros na quarta operação sindicada do ano, numa operação em dois segmentos que gerou uma procura muito superior à oferta.
A emissão dividiu-se em duas tranches com maturidades distintas: uma reabertura de 3 mil milhões de euros numa obrigação a três anos, com vencimento em julho de 2029, e uma nova obrigação a 20 anos no valor de 6 mil milhões de euros, com vencimento em outubro de 2046.
- Na tranche a 3 anos, o livro de ordens superou os 54 mil milhões de euros, “com uma taxa de sobresubscrição de aproximadamente 18 vezes”, segundo o comunicado da Comissão Europeia.
- Na tranche a 20 anos, a procura foi ainda mais expressiva em volume absoluto, contabilizando mais de 88 mil milhões de euros em ordens, “com uma taxa de sobresubscrição de aproximadamente 14,7 vezes”.
A Comissão Europeia, liderada por Ursula von der Leyen, aplicou uma estratégia de preços diferenciada para as duas maturidades. A obrigação a três anos foi indexada à curva swap, enquanto a nova obrigação a 20 anos foi precificada relativamente a um ponto de referência na curva de obrigações da União Europeia.
Esta abordagem, explica o comunicado, “ajudou a mitigar os riscos de precificação para os investidores participantes na nova tranche de longo prazo” e reflete “a crescente liquidez da curva de obrigações da União Europeia, que pode ser utilizada como ponto de referência fiável na precificação de emissões sindicadas”.
A dívida total da União Europeia em circulação ascende agora a cerca de 792,3 mil milhões de euros, dos quais 80,4 mil milhões de euros sob a forma de obrigações verdes NextGenerationEU.
A obrigação a três anos oferece um cupão de 2,375% e fechou com uma yield de 2,82%, enquanto a obrigação a 20 anos, com um cupão de 4%, terminou com uma yield de 4,09%.
Esta operação enquadra-se no objetivo de financiamento de 90 mil milhões de euros definido pela Comissão Europeia para o primeiro semestre, dos quais já foram emitidos 61,3 mil milhões de euros desde janeiro. A dívida total da União Europeia em circulação ascende agora a cerca de 792,3 mil milhões de euros, dos quais 80,4 mil milhões de euros sob a forma de obrigações verdes NextGenerationEU.

Os fundos captados serão utilizados para financiar “as prioridades políticas da União Europeia, incluindo o apoio a uma Europa mais forte, mais competitiva e resiliente, o apoio à Ucrânia e investimentos cruciais na defesa europeia”, lê-se no comunicado.
Entre os instrumentos financiados destaca-se o programa SAFE – Security Action for Europe –, criado para ajudar os Estados-membros a realizar “investimentos urgentes em defesa através de compras conjuntas”.
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