Bison Bank duplica lucro e paga primeiro dividendo
Bison Bank vai a caminho de se tornar no primeiro criptobanco em Portugal. Registou lucros de cinco milhões e vai pagar o primeiro dividendo ao acionista chinês.
O Bison Bank duplicou os lucros recorrentes no ano passado para cinco milhões de euros e já aprovou o primeiro dividendo da sua história, de 750 mil euros, segundo anunciou esta quarta-feira.
O antigo banco de investimento do Banif, comprado pelo grupo de Hong Kong em 2018, atingiu o breakeven em 2023 e entrou definitivamente numa fase de “consolidação do modelo de negócio”, salientou o CEO António Henriques, na apresentação dos resultados anuais, na sede em Lisboa.
O resultado não recorrente superou os 13 milhões de euros, incluindo quase 4 milhões de euros em ativos por impostos diferidos (DTA) registados por conta de prejuízos registados no passado – e que o banco vai continuar a registar nos próximos exercícios, mas com impacto muito mais reduzido, explicou António Henriques.
Para este resultado contribuiu ainda o desempenho do Bison Digital Assets (BDA), empresa criada há três anos para explorar o negócio de ativos digitais. A BDA registou um lucro de 200 mil euros e mais de 165 milhões de euros em transações. “Estamos a falar de um valor considerável de transações para uma empresa com pouco tempo”, destacou António Henriques.
Até final deste semestre, o Bison espera concluir a fusão da BDA no banco e ainda o processo de autorização para operar ativos digitais junto do Banco de Portugal ao abrigo do novo regulamento MiCA e tornar-se no primeiro criptobanco em Portugal.
“Queremos atrair clientes que queiram diversificar uma conta bancária, que não queiram ter apenas uma conta bancária no seu país. E se eu puder oferecer outra classe de ativos melhor”, adiantou.
A margem financeira subiu para 9,1 milhões de euros e as comissões quase duplicaram para 8,3 milhões de euros. Um desempenho que permitiu que o cost to income melhorasse para 65%, com os custos de estrutura a subirem a ritmo menor que das receitas.
O banco tem perto de 600 milhões em depósitos e 7,4 mil milhões em ativos sob supervisão por via dos 170 fundos de investimento dos quais é agente depositário.

“Estabilidade é o novo grande ativo de Portugal”
O Bison tem uma oferta sobretudo direcionada a clientes estrangeiros com elevado património. E nessa medida António Henriques considera que o grande ativo que Portugal tem para oferecer é a estabilidade.
“Poucos países que conseguem dizer que são estáveis. Portugal vai fazer face a qualquer instabilidade no Médio Oriente ou outra região”, declarou o gestor bancário.
Atualmente o banco tem quase 7.000 clientes de mais de 130 países, sendo os EUA a principal região. “A pergunta é: onde é que há instabilidade? O que estamos a observar, não com a guerra, mas antes, é que os EUA estão a deslocar muitos dos seus cidadãos para outras geografias. E Portugal tem sido um destino”, referiu.
Em relação ao conflito no Médio Oriente, ainda não está a sentir impacto imediato em termos de clientes à procura de abrir conta no banco, disse. Mas sabe que os clientes querem ter sempre um plano B e que encontram em Portugal “um bom sítio para ter uma segunda conta”.
Stablecoin até final do semestre
Além das criptomoedas, com a BDA a oferecer sete moedas (incluiu Ripple e Cardano nos serviços de custódia), António Henriques revelou ainda que o processo de lançamento da stablecoin está “on track” e “sem desvios” em relação aos planos iniciais, devendo estar concluído ainda neste semestre.
“Gostávamos de ser o primeiro banco a lançar a primeira stablecoin em Portugal”, disse.
O banco conta ainda lançar projetos de tokenização de ativos reais, começando com ativos imobiliários. “É onde o banco pode adicionar valor imediato”, explicou aos jornalistas.
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