Extinta em 2007, Brigada de Trânsito da GNR vai regressar às estradas
A Brigada de Trânsito, divisão da GNR extinta por José Sócrates, vai regressar, anunciou Luís Neves, que promete combate às prescrições de multas. Mortes na estrada já aumentaram 40%.
- O Governo anunciou a reativação da Brigada de Trânsito da GNR, extinta em 2007, para melhorar a fiscalização rodoviária especializada.
- O ministro da Administração Interna destacou o aumento da sinistralidade rodoviária, com 145 mortes registadas desde janeiro, um aumento de 40% em relação ao ano anterior.
- As novas medidas incluem a digitalização dos processos de multas e a introdução de um novo Código da Estrada, visando reduzir acidentes e melhorar a segurança nas estradas.
O Governo vai reativar a Brigada de Trânsito (BT), divisão da Guarda Nacional Republicada (GNR) extinta pelo Governo de José Sócrates em 2007, altura em que foi integrada no corpo da força policial, conjuntamente com a Brigada Fiscal.
O regresso da BT foi anunciado pelo ministro da Administração Interna nesta quarta-feira.
“Nem todos se lembrarão, mas com a extinção em 2007 desta estrutura, a BT perdeu-se completamente a essência de uma fiscalização rodoviária contínua e especializada”, defendeu o governante na cerimónia de tomada de posse do novo presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Pedro Clemente. E reforçou: “a eficácia, a uniformidade e o controlo operacional do serviço de trânsito só podem ser plenamente assegurados através de um comando nacional especializado e unificado”.
Nas suas declarações, o governante prometeu ainda combate aos procedimentos dilatórios com que alguns infratores tentam forçar a prescrição das multas. Isto passará, especialmente, pelo fim do papel e digitalização dos processos, indicou. “O digital tem de ser uma certeza, uma realidade, sobretudo para combatermos comportamentos absolutamente anómalos de todos aqueles que de forma dolosa e preparada procuram alcançar a prescrição das contraordenações. Isso vai acabar“.
Nem todos se lembrarão, mas com a extinção em 2007 desta estrutura, a BT perdeu-se completamente a essência de uma fiscalização rodoviária contínua e especializada.
Uma “pequena aldeia” desaparece
No rescaldo da Operação Páscoa, durante a qual 20 pessoas perderam a vida nas estradas portuguesas, Luís Neves já se tinha pronunciado sobre a necessidade de tomar medidas para combater a sinistralidade rodoviária.
Desde 1 de janeiro até 14 de abril morreram 145 pessoas nas estradas, mais 42 do que em igual período do ano passado, afirmou Luís Neves, números que implicam um crescimento na letalidade do trânsito rodoviário ordem dos 40%. “É como se em poucos meses desaparecesse uma pequena aldeia do interior do nosso Portugal”, comparou.
Escalpelizando os acidentes com vítimas mortais, fez uma referência especial às mortes de peões enquanto atravessam a passadeira. “Parte substancial dos acidentes mais graves acontecem nas vias urbanas”, notou, dirigindo-se em especial aos representantes da PSP presentes neste evento, dizendo que “não é possível continuarmos a ter pessoas mortas nas passadeiras, em que os sinais vermelhos são passados com a maior desfaçatez”.
Entre os objetivos, apontou “inverter o afastamento face à média europeia, reforçar a prevenção e a fiscalização, reorganizar a unidade de trânsito da Guarda Nacional Republicana, melhorar a articulação entre unidades”.
Nesta quarta-feira, para lá da notícia sobre a BT, falou também de um “novo Código da Estrada” e do reforço da fiscalização rodoviária, o que implicará a chegada de mais radares de velocidade média, como o existente no sentido Norte-Sul da A1, entre os nós de Santarém e Cartaxo.
Entre as novidades trazidas pelo ex-diretor nacional da Polícia Judiciária está também o fim do anúncio da localização das operações stop das autoridades.
(Notícia atualizada pela última vez às 12h10)
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