CCB quer mais autonomia financeira até 2030
Conselho de administração do Centro Cultural de Belém apresentou esta quarta-feira o seu plano estratégico para os próximos quatro anos. Diversificação das fontes de financiamento é um dos objetivos.
Um Centro Cultural de Belém com mais autonomia financeira, públicos novos e mais internacional. É este, traços largos, o plano estratégico do Conselho de Administração da instituição, liderado por Nuno Vassallo e Silva, para os próximos quatro anos (2026-2030). As linhas orientadoras foram apresentadas, esta quarta-feira, pelo presidente e pelos seus dois vogais, Rui Morais e Rita Romão, nomeados em novembro de 2025. “Mais aberto, mais legível, mais internacional, mais sustentável, mais próximo e mais apropriável pelos cidadãos”, resumiu o presidente da CCB.
Rita Romão, com o pelouro das finanças e marketing, explica que querem “alargar a base social” do CCB, tornar a experiência mais desejada, com uma melhor navegação neste espaço e reforçando o papel de mediador cultural e pedra angular do ecossistema cultural” do eixo Belém-Tejo.
E, sobretudo, um modelo ancorado na sustentabilidade económica para o qual será reunida “uma equipa profissional” que fará esse trabalho de encontrar novas fontes de receitas para a instituição, como “mecenato, patrocínios ou através de candidaturas a fundos europeus”, três exemplos mencionados pela administradora.
“Não há projeto cultural sem sustentabilidade adequada”, frisou Rita Romão. A instituição gere dois auditórios e a respetiva programação, o MAC – Museu de Arte Contemporânea e um centro de congressos. “A economia já lá está, é preciso reativá-la”, disse a administradora. “O CCB tem de ser mais orgânico e participativo na sociedade”, referiu.
A dotação anual do CCB, através do orçamento do Estado, é atualmente de 10,5 milhões e corresponde a 60 a 70% do total das suas receitas, segundo Rita Romão.
O orçamento gerido é de 18,7 milhões de euros (e os números correspondentes ao exercício de 2025 serão divulgados na próxima semana). “Não defendemos o fim da contribuição do Estado, o que defendemos é a diversificação das fontes de financiamento”, referiu Rui Morais.
Entre as prioridades da administração está também o reposicionamento das redes internacionais de cultura, a ligação às diásporas culturais e a ligação ao sistema universitário e politécnico europeu. Do lado da programação, Rui Morais explicou que pretendem abrir o CCB a residências artísticas internacionais e maior diálogo entre o serviço educativo do Centro Cultural de Belém, a Fábrica das Artes, e o serviço educativo do Museu de Arte Contemporânea. Em junho, será conhecida a programação do novo diretor artístico do CCB.
O plano estratégico agora gizado termina com a conclusão da construção dos módulos 4 e 5 do Centro Cultural de Belém, prevista para 2029-2030, segundo Nuno Vassallo e Silva. O projeto foi concebido no final dos anos 80 pelos arquitetos Vittorio Gregotti e Manuel Salgado e a construção já começou e está neste momento em fase de prospeção arqueológica.
“Há achados, que já se sabia que lá estavam”, sublinha Nuno Vassalo e Silva, precisando tratar-se do palácio Quinta Real da Praia, demolido em 1962.
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