Conexus vai investir 2,5 milhões para digitalizar cadeia de abastecimento das empresas
Num contexto de cadeias de valor pressionadas, a recém-lançada consultora de gestão e eficiência operacional vai operar no mercado ibérico através de uma parceria com a multinacional americana Coupa.
Nasceu uma nova empresa de consultoria em Portugal – mas, desta vez, é dedicada apenas à cadeia de abastecimento. Num momento em que a cadeia de valor internacional está pressionada por constrangimentos geopolíticos, a Conexus lançou-se no mercado para apoiar organizações na melhoria de processos e desempenho operacional.
Fundada por Diogo Carneiro, em 2025, na freguesia portuense de Ramalde, a Conexus dedica-se à transformação digital das funções de compras (procurement) e cadeia de abastecimento no tecido empresarial da Península Ibérica. Em declarações ao ECO, o CEO da startup de consultadoria estratégica avança que tem um plano de investimento no valor de 2,5 milhões de euros para desenvolver soluções digitais para logística.
Na prática, vai aumentar o portefólio de programas à base de software Palantir Technologies. O cofundador da Conexus afirma que há “maior instabilidade no comércio internacional, marcado por tensões geopolíticas, volatilidade de preços, disrupções logísticas e pressões inflacionistas” e este “enquadramento tem vindo a reforçar a necessidade, por parte das organizações, de maior visibilidade, capacidade de planeamento e controlo operacional nas cadeias de abastecimento”.
O modelo de trabalho é o seguinte: definição estratégica, implementação e otimização contínua com base em indicadores operacionais e financeiros, como controlo de despesa, eficiência de processos e previsibilidade. Por detrás está uma abordagem designada “Identificação de Valor em 10 Dias (The 10‑Day Value Discovery) que, ao longo de 10 dias, identifica, quantifica e prioriza oportunidades em procurement e supply chain e define um plano de execução com métricas mensuráveis. Para tal, assinou um acordo com a tecnológica norte-americana Coupa, especializada em gestão de despesas empresariais.
As empresas ibéricas enfrentam uma necessidade crescente de reforçar os seus sistemas de compras, de forma a responder a desafios externos cada vez mais exigentes, nomeadamente de natureza geopolítica e de disrupção nas cadeias de abastecimento, como os que se verificam atualmente.
Questionado sobre o público-alvo, o fundador e CEO da Conexus explicou que o “modelo de inteligência aumentada” funciona independentemente da dimensão da empresa. “Nas grandes organizações, ajuda a reduzir a fragmentação, a complexidade e a falta de visibilidade e, nas PME, oferece capacidades analíticas que, normalmente, exigiriam equipas muito maiores” refere Diogo Carneiro.
Segundo o empreendedor português, “é comum encontrarmos empresas com boa execução operacional, mas sem uma visão integrada de gastos, contratos, fornecedores, sustentabilidade e risco” em projetos de procurement (contratos que fazem para comprar produtos e serviços e de que precisam). Logo, ao consolidar os dados “numa única camada analítica”, é possível “encurtar o ciclo entre análise, decisão e implementação, passando de meses para semanas”.
Espanha é o pontapé de saída internacional pela proximidade física e cultural de ambos os países. “É o mercado onde testamos a escalabilidade do nosso modelo AI-first. Ao contrário da consultoria tradicional, o nosso crescimento não depende apenas da contratação de mais pessoas, que continuam a ser essenciais, mas, sobretudo, de tecnologia própria que torne o diagnóstico, a implementação e a operação repetíveis e exponencialmente mais eficientes”, diz ainda Diogo Carneiro.

Segundo a consultora internacional McKinsey, as empresas com maior maturidade neste departamento apresentam, em média, margens de lucro operacional (EBITDA) superiores em relação a organizações menos desenvolvidas nesta área. Por sua vez, a Coupa defende que a utilização de soluções digitais com recurso a inteligência artificial pode contribuir para ganhos de eficiência na gestão de despesa.
A Conexus conta com o apoio de investidores como a Growset e Rui Pereira, cofundador do unicórnio OutSystems.
Notícia atualizada às 19h12 com indicação de que João Prior é investidor e não confundador
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