FMI alerta que apoios generalizados na energia podem prolongar pressões inflacionistas

Instituição alerta que medidas "excessivamente" expansionistas podem obrigar a uma política monetária mais restritiva, recomendando que governos evitem apoios transversais.

O momento é de pressão inflacionista e de tensão geopolítica, mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) deixa um aviso claro à atenção dos governos: apoiar os consumidores com subsídios generalizados à energia pode agravar o problema. A instituição liderada por Kristalina Georgieva apela a que se evitem medidas com custos orçamentais elevados e difíceis de reverter, alertando que se forem “excessivamente expansionistas” podem obrigar a uma política monetária mais restritiva.

A posição do FMI sobre o tema não é nova, mas voltou a ser defendida esta quarta-feira no relatório sobre as perspetivas orçamentais mundiais, divulgado durante as reuniões de primavera da instituição e do Banco Mundial, em Washington, numa altura em que países avançam com medidas de apoio face à escalada dos preços da energia.

Sempre que os apoios sejam necessários e exista margem orçamental, estes devem ser temporários, bem direcionados e limitados“, defende a instituição que sugere que este seja canalizado através de transferências existentes para os agregados familiares vulneráveis e, quando justificado, “através de apoio de liquidez de curto prazo a empresas viáveis com elevada intensidade energética”.

FMI pede que governos evitem intervenções orçamentais discricionárias que distorçam os sinais de preços em contexto de restrição da oferta.

Deste modo, podem evitar-se “medidas transversais, dispendiosas, distorcivas e difíceis de reverter”, considera. Para o FMI, esta estratégia permite evitar intervenções orçamentais discricionárias que distorçam os sinais de preços em contexto de restrição da oferta.

O aumento do risco de choques prolongados nos preços das matérias-primas, decorrentes de tensões geopolíticas, reforça a necessidade de permitir o ajustamento dos preços internos da energia sempre que possível”, argumenta.

Neste contexto, alerta ainda que as respostas orçamentais “devem estar cuidadosamente alinhadas” com os esforços da política monetária para conter efeitos inflacionistas. “Medidas excessivamente expansionistas correm o risco de prolongar as pressões inflacionistas e obrigar a uma política monetária mais restritiva, agravando o impacto negativo sobre a atividade económica“, adverte.

Medidas excessivamente expansionistas correm o risco de prolongar as pressões inflacionistas e obrigar a uma política monetária mais restritiva, agravando o impacto negativo sobre a atividade económica.

FMI

Fiscal Monitor

Assim, segundo o FMI, quando existe margem orçamental, os estabilizadores automáticos devem poder funcionar, quando não exista, uma reorientação orçamental neutra em termos de saldo, focada na proteção dos mais vulneráveis, é preferível a respostas financiadas por défice que possam comprometer a confiança dos mercados.

E nem os exportadores de matérias-primas que beneficiem de receitas extraordinárias escapam aos avisos. Estes devem “evitar aumentos de despesa pró-cíclicos e canalizar esses ganhos para reservas orçamentais ou fundos soberanos” de modo a reforçar “a resiliência a choques futuros”.

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