Nazaré da Costa Cabral considera “ofensivas” acusações de Sarmento. “Quero acreditar que respeita a independência do CFP”
Ministro das Finanças acusou o CFP de fazer críticas políticas. Nazaré Costa Cabral diz que projeções são "técnicas" e pede que não se coloque em causa independência numa altura de mudança de líder.
A presidente do Conselho das Finanças Públicas (CFP) defendeu esta quarta-feira que as projeções da instituição são “técnicas” e “sérias”, garantindo nunca ter interferido no trabalho da equipa. Nazaré da Costa Cabral considerou mesmo “um bocadinho ofensivas” as declarações do ministro das Finanças, aconselhando a prudência para preservar a imagem de independência numa altura em que a entidade se encontra prestes a mudar de liderança.
“Não fazemos projeções políticas no CFP. As nossas projeções são técnicas e é um trabalho muito sério e não pode ser questionado dessa maneira nenhuma em lado nenhum”, afirmou Nazaré da Costa Cabral durante a conferência de imprensa de apresentação das perspetivas económicas e orçamentais, em Lisboa, quando questionada sobre o tema.
Em causa estão as declarações do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, em que acusou a entidade de fazer críticas, que denominou de “políticas”, apenas desde que o atual Governo está no poder.
Perante as críticas, Nazaré da Costa Cabral procurou fazer a defesa da honra. “Estou aqui há sete anos e nunca interferi nos resultados das projeções e no trabalho técnico da minha equipa. Essas declarações no que diz respeito ao CFP não foram afirmações justas, corretas e no que diz respeito à presidente foram um bocadinho ofensivas“, considerou.
Estou aqui há sete anos e nunca nunca interferi nos resultados das projeções e no trabalho técnico da minha equipa. Essas declarações no que diz respeito ao CFP não foram afirmações justas, corretas e no que diz respeito à presidente que foram um bocadinho ofensivas.
“Sempre acreditei que o senhor ministro das Finanças respeita a independência do CFP e quero continuar a acreditar que o senhor ministro das finanças respeita a independência do CFP”, afirmou.
Na mesma linha, recordou que a CFP “está sempre sob escrutínio” e tem um “nível de exposição enorme”. Pelo que quando há uma mudança na liderança de uma instituição como esta – o mandato de Nazaré da Costa Cabral já terminou –, a responsável considera que é preciso “tranquilidade”, evitando-se declarações que possam pôr “em causa a credibilidade de uma instituição destas”.
A presidente do CFP salientou que a instituição tem “sempre o cuidado de dizer que são projeções em políticas invariantes” e assumiu a divergência nas perspetivas para o saldo do ano passado, que se prendeu essencialmente com o comportamento da receita fiscal, nomeadamente o IVA.
A responsável destacou ainda que o próprio ministro das Finanças apresentou uma estimativa de um excedente de 0,3% em outubro, depois da revisão do INE, “com um conhecimento muito mais fino inclusive acesso a microdados do comportamento da receita fiscal, informação muito mais fina do comportamento da receita fiscal e da despesa”.
(Notícia atualizada às 17h56 com mais informação)
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