BRANDS' TRABALHO O talento sénior ainda esbarra em velhos preconceitos

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  • 15 Abril 2026

Empregabilidade em profissionais acima dos 55 anos foi o tema do último episódio do Work Around, onde duas especialistas em recursos humanos explicam porque é que a idade não significa menos potencial

No mais recente episódio do Work Around, podcast do ECO com apoio da Gi Group Holding dedicado ao mundo do trabalho, o foco esteve na empregabilidade acima dos 55 anos e na forma como as empresas continuam, muitas vezes, a olhar para estes profissionais com preconceito. Para as convidadas deste episódio, o talento sénior continua a enfrentar barreiras, mas também é apontado como uma das respostas mais sólidas à escassez de recursos humanos.

Ana Viçoso, Head na Intoo Portugal, reconhece que há sinais de mudança, mas sublinha que o idadismo ainda pesa no acesso a novas oportunidades. “Felizmente está a mudar um bocadinho, mas continua a ser um desafio”. Esse bloqueio, explica, nem sempre é explícito e muitas vezes revela-se em “viés inconscientes” que levam muitas empresas a assumir que um profissional com mais de 55 anos já não estará “tão válido ou tão apto para integrar um novo projeto”.

O preconceito, continua, pode surgir logo na triagem curricular e prolongar-se até à entrevista, alimentado por ideias feitas sobre adaptação, competências digitais ou excesso de experiência. Um dos exemplos apontados é o de candidatos que aceitam funções abaixo do nível de senioridade que já tiveram e que, ainda assim, são vistos como um risco. “Estas pessoas já não querem fazer carreira, querem trabalhar para contribuir. Para acrescentar valor, para trazer aquilo que é a experiência como legado, não como vício”, resume Ana Viçoso, especialista em outplacement.

As empresas, em vez de olharem isto como um fator positivo, porque conseguimos ter alguém que tem um perfil muito mais robusto, que tem muito mais a acrescentar e que ainda assim está disponível para trabalhar numa função abaixo, [acabam por] associar a excesso de competências para a função

Ana Viçoso

Head of Intoo Portugal

Cidália Garcês, HR Business Partner na Lusitânia e Lusitânia Vida, acrescenta que na seguradora onde trabalha este talento é visto com bons olhos. Para a perita em recursos humanos, a evolução positiva do mercado tem ajudado a tornar os perfis seniores cada vez mais valorizados, sobretudo em contextos onde a confiança e a solidez contam. No setor segurador, por exemplo, “estes perfis dão confiança e fiabilidade aos nossos clientes”, razão pela qual a aposta na sua valorização “faz parte da nossa cultura”. Para que isso seja possível, lembra, é preciso apostar em programas de formação contínua, na mobilidade interna e na requalificação.

A convivência entre gerações foi outro dos temas da conversa e, neste campo, Ana Viçoso não tem dúvidas de que ter profissionais jovens e seniores no mesmo ecossistema “traz uma riqueza imensa para as empresas”. Instrumentos como a mentoria inversa, o coaching ou o trabalho em projeto são apontados como úteis para transformar essa diversidade etária em valor concreto para o negócio.

Os perfis seniores, devido à sua maturidade e ao seu nível de inteligência emocional, acabam por ter um ponto de equilíbrio dentro das próprias equipas

Cidália Garcês

HR Business Partner na Lusitânia e Lusitânia Vida

Cidália Garcês reforça a ideia, explicando que na Lusitânia são usados “programas de mentoria duplos”, com perfis mais jovens e mais seniores a trabalharem em conjunto. O resultado, diz, é um reforço da colaboração, da inteligência emocional nas equipas e da partilha de conhecimento. “O que faz parte de um perfil sénior numa empresa é a partilha de conhecimento”, salienta, alertando que esta transmissão de know-how é também uma forma de a empresa não perder saber acumulado.

Porém, nem tudo é simples e estes processos podem levantar desafios. Para as duas especialistas, esses obstáculos podem ser superados com lideranças capazes e adaptativas. “O papel das lideranças é fundamental”, sublinha Ana Viçoso, que aponta que um líder é, antes de mais, alguém capaz de perceber as necessidades, motivações e expectativas das pessoas que o rodeiam. Já Cidália Garcês lembra que esse trabalho de liderança é decisivo para combater os vieses associados à idade e desfazer ideias pré-concebidas sobre a capacidade de mudança ou de adaptação a novas competências tecnológicas.

Numa altura em que tantas empresas enfrentam dificuldades na captação e retenção de talento, é preciso cada vez mais olhar para os profissionais experientes, que carregam conhecimento, maturidade e capacidade de adaptação.

Assista, no vídeo abaixo, ao episódio completo do podcast Work Around, uma parceria do ECO com a Gi Group Holding. Se preferir, ouça a versão podcast no Spotify ou na Apple Podcasts.

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